terça-feira, 20 de abril de 2010

O meu 25 de Abril




Por Francisco Silva

"Dia 25/4/74, eram 8h.05. Era a habitual hora de me levantar, quando oiço chegar o meu pai aflito, vindo da padaria com o pão, dizendo: - Há uma revolução, o Chico não pode ir à escola, a Baixa está cheia de tropas! - Aquilo “de não poder ir à escola” interessou-me logo, eu nem estava a acreditar, pois ao fim de 4 anos de primária, pela 1ª vez não ia à escola! Era formidável!!! Nesse dia estava eu e os meus colegas livres de levar porrada da grossa (tortura e terror) imposta diariamente pelo nosso professor da primária: Alexandre Mendonça Martins na escola Nº 24 do Bairro de São Miguel com a sua “varinha mágica” como ele lhe chamava, às vergastas que ele próprio arrancava dos arbustos do jardim da escola, com que nos enchia de nódoas negras, até as ouvíamos assobiar no ar!!! Encolhíamos nos todos de ver bater no desgraçado, pois sabíamos que dentro de minutos o desgraçado era cada um de nós! Já para não falar da situação de vexame a que nos submetia aquando duma redacção, desenho… Escolhendo a redacção mais fraca, pondo-a em ridículo, lendo-a alto em voz de gozo para todos se rirem dando ênfase às situações caricatas e lendo os erros tal como o aluno escrevera, no final o aluno como prémio era chamado à frente para saborear a “varinha mágica”. Com os desenhos e tudo o resto era a mesma coisa, exibia gozando. Portanto não convinha nada ter a pior redacção, o ditado com mais erros, o pior desenho, a pior aritmética porque já se sabia que ia ter como prémio a famosa “varinha mágica”, que fazia milagres como ele dizia! Enfim métodos de ensino! Cá para mim ele deve ter sido educado num seminário para padres (lá bem no interior) ou coisa do género! A PIDE é que nunca o descobriu! Dava um óptimo pide!!! Naquela época os festivais da canção eram muito importantes e todos os anos a rapaziada cantava a canção vencedora ou a mais "orelhuda" e nesse ano a canção "festivaleira" tinha ficado em 2º lugar "No Dia Em Que 0 Rei Fez Anos" enquanto a vencedora fora "E Depois Do Adeus". E fora também a 1ª senha para dar inicio às operações militares. E após o 25 de Abril a canção que toda a gente cantava era "Somos Livres". Portanto o não ter ido à escola nesse dia foi a melhor prenda! Fui para a rua e o que eu ouvia na rua e na escada do prédio era: Que queriam fazer mal ao Marcelo Caetano e também ao Américo de Tomás e eu pensei de imediato «Isto são uns patifes»! Fazerem mal ao Marcelo Caetano e ao Américo de Tomás que são pessoas tão boas! Fiquei com medo dos revolucionários e das tropas. Ao que depois me disseram que não! Os revolucionários é que eram bons e os do governo é que eram maus! Fiquei confuso, sem perceber! Eu tinha em tão boa conta o Presidente Américo Tomás que alem de ter o seu nome no actual Estádio do Restelo, estava lá na fotografia por cima do quadro da sala de aula ao lado da também fotografia do Salazar, apesar do presidente do conselho já ser à bastantes anos Marcelo Caetano. Como digo tinha em boa conta “esta gente” como é que agora eles eram maus! E foi então que na rua havia quem explicasse à vizinhança que eles eram fascistas e ditadores, “palavrões” que eu nunca ouvira antes! E as explicações continuavam: - Eles têm muita gente presa que nunca cometeram crimes, apenas mostraram ter outra opinião e só por isso foram presos. Estão lá no «poleiro» mas foram eles que se meteram lá e de lá não saiem, ninguém votou neles para estarem lá! E eu ouvindo isto pensei: Nunca me ocorreu saber como é que “eles” estão no governo, pois se não é por tomada de posse hereditária, como é que são eles e não outros no governo? Eu que estava com medo das forças armadas, fiquei a saber pelas pessoas que afinal eles vieram libertar o país duma ditadura “Oligárquica”. E o que eu sentia nesse momento era o que uma vizinha dizia: - “Eles” enganaram-me bem, eu que pensava que eles eram amigos do povo e afinal… Eu não sabia que existia PIDE/DGS, que havia censura, presos políticos, que deveria haver eleições, que chegou a haver eleições que foram só para alguns “farsas”. Mas nesse mesmo dia apareciam pessoas com opinião contrária, que diziam: «O Zé Povinho anda contente mas não sabe o que o espera!» «Isto ainda vai haver uma guerra civil» «Quem trabalha e não se mete em confusões a pide não prendia» «O Salazar foi amigo do país porque deixou grandes reservas de ouro e livrou-nos da 2ª Guerra Mundial». Ao que a maioria das pessoas respondiam (as mais velhas): Que o Salazar fê-las passar fome… Nesse dia não ouvi falar em partidos politicos mas ouvi muitas palavras novas: Fascismo; Ditadura; Democracia; Latifúndio; Monopólio; Eleições; Revindicações… Um dia diferente num país onde nada acontecia. O maior acontecimento nacional dos últimos 5 anos nas conversas de café tinha sido o aumento da “bandeirada dos táxis” de 1$50 para 2$00, numa época em que os preços eram «eternos» mas que a crise petrolífera internacional de 1973 (com os racionamentos) estava a complicar. Durante a semana a seguir ao dia da “Revolução Dos Cravos”, foi a semana nacional mais colorida de sempre, as pessoas estavam eufóricas e felizes, eram todas amigas umas das outras e até pessoas que já não se viam à muitos anos, faziam visitas umas às outras! Culminou com a grande festa do 1º de Maio na FNAT, actual INATEL (perto de onde moro). Nunca vi nem houve tanta gente junta nas ruas de Lisboa como nesse dia. E éramos todos AMIGOS! Nesta época a taxa de analfabetismo em pessoas acima dos 45 anos era superior a 50% e aumentava muito no anterior principalmente nas pessoas do sexo feminino. A maioria das pessoas ainda não possuía televisão (eu só tinha à 2 anos), nem sequer electricidade ou água canalizada nas suas localidades. E foi neste “Portugal profundo” que passadas 3 semanas encontrei mais o meu pai, pessoas que em conversa com elas desconheciam a existência da revolução que mudara de regime, estávamos admirados ao que o meu avô aproximou-se e ao aperceber-se da conversa disse: - Eles não sabem disso aqui! – Não têm telefonia! – O 25 de Abril não chegou cá a eles!!!"

in: http://abril25.paginas.sapo.pt/meu25.htm

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Quem foi Salgueiro Maia?



Figura incontornável e indissociável do 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia, como se tornou conhecido, foi um dos distintos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução dos Cravos. Filho de Francisco da Luz Maia, ferroviário, e de Francisca Silvéria Salgueiro, frequentou a escola primária em São Torcato, Coruche, mudando-se mais tarde para Tomar, vindo a concluir o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria. Licenciou-se em Ciências Sociais e Políticas e em Ciências Etnológicas e Antropológicas.

Em Outubro de 1964, ingressa na Academia Militar, em Lisboa e, dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio. Em 1968 é integrado na 9ª Companhia de Comandos, e parte para o Norte de Moçambique, em plena Guerra Colonial, cuja participação lhe valeu a promoção a Capitão, já em 1970. A Julho do ano seguinte, embarca para a Guiné, só regressando a Portugal em 1973, onde seria colocado na EPC.

Por esta altura iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do «Levantamento das Caldas», foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de carros de combate que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcello Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcello Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.

A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santa Margarida. Em 1984 regressa à EPC.

Em 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1992, a título póstumo, o grau de Grande Oficial da Ordem da Torre e Espada e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.

Em 1989 foi-lhe diagnosticada uma doença cancerosa que, apesar das intervenções cirúrgicas no ano seguinte e em 1991, o vitimaria a 4 de Abril de 1992.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cronologia do 25 de Abril


Partilho esta informação disponível no site do Instituto Camões sendo que, a que hoje publico refere-se apenas aos dias 23 24 e 25 de Abril de 1974.
Podem neste site encontrar mais informações entre as datas 01 de Janeiro de 1973 e 01de Maio de 1975.

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DIA 23
00h15 - Otelo Saraiva de Carvalho e Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, avistam-se, no Apolo 70, com João Paulo Diniz. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrocel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida. Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, "Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus»", através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa. A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o País.
- Deslocam-se, seguidamente, para junto da Penitenciária de Lisboa, onde aguardam que o ex-locutor do Programa das Forças Armadas em Bissau obtenha informação no Rádio Clube Português sobre a constituição da equipa que entrará de serviço na madrugada de 25. Este apura que o serviço de noticiário estará a cargo de Joaquim Furtado mas, conhecendo-o mal, não arrisca estabelecer contacto.
Manhã - Otelo carrega, no porta-bagagem do seu automóvel, estacionado na Academia Militar, os aparelhos rádio Racal, obtidos por Garcia dos Santos, que se destinam às unidades que não dispõem de material de transmissões, designadamente o Centro de Instrução Anti-Aérea e de Costa (CIAAC) e o Regimento de Cavalaria 3 (RC 3).
Final da manhã - Álvaro Guerra, contactado por Almada Contreiras em nome do Movimento para conseguir a emissão de um sinal radiofónico de âmbito nacional que sirva de código para o desencadeamento das operações, solicita a Carlos Albino, seu colega no República e um dos responsáveis pelo Limite - um programa independente que aluga tempo de antena à Rádio Renascença - a transmissão, no início da madrugada de 25 de Abril, da canção Venham mais cinco, de José Afonso. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença. Sugere alternativas, entre as quais Grândola, Vila Morena.
15h00 - Otelo entrega ao major Neves Rosa os documentos finais para policopiar (anexo de transmissões, alterações de missão, indicação do grupo data-hora (GDH) de execução, modo de confirmação da Hora H e a senha e contra-senha a utilizar nos contactos com tropas). Esta missão é efectuada num período inferior a três horas, numa firma de artigos electrónicos na Rua Luciano Cordeiro, 78, pertencente ao referido oficial que coordena o sector da ligação operacional, coadjuvado pelo capitão Sousa e Castro.
Tarde - Encontro de Otelo com o tenente-coronel de cavalaria Correia de Campos, num bar na zona do Rego (Lisboa), onde o último aceita participar no Movimento e assumir o comando do Regimento de Cavalaria 7, coadjuvado pelos tenentes Cid, Cadete e Aparício, logo que concretizada a detenção dos oficiais superiores daquele regimento que deveria ser efectuada por grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.
18h00 - Otelo inicia, na Avenida Sidónio Pais, junto ao Parque Eduardo VII, a entrega dos sobrescritos lacrados contendo as instruções finais, bem como de um exemplar do jornal Época - porta-voz do regime, código escolhido para identificar as equipas de ligação (dois oficiais por unidade, circulando cada um na sua viatura e seguindo preferencialmente itinerários diferentes, de modo a prevenir diversas eventualidades) - e, ainda, em alguns casos, material de transmissões.
20h00 - Na residência do comandante Vítor Crespo, no Restelo, realiza-se uma reunião final de Otelo e Vítor Alves com representantes da Armada, nomeadamente os comandantes Geraldes Freire e Abrantes Serra, onde foi obtida a garantia da neutralidade das forças da Marinha.
- O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, procede à entrega, na residência do capitão Teófilo Bento, da ordem de missão referente à Escola Prática de Administração Militar (EPAM).
2?h00 - Otelo decide pernoitar, por razões de segurança, no RE 1.
23h00 - Chegada a Santarém dos capitães Candeias Valente e Torres, oficiais do Movimento, portadores da ordem de operações para a Escola Prática de Cavalaria. Comunicam telefonicamente com o tenente Ribeiro Sardinha informando que já se encontram na cidade, na Pastelaria Bijou. Este contacta Salgueiro Maia.
23h30 - O capitão Salgueiro Maia desloca-se à Pastelaria Bijou, no Largo do Seminário, em Santarém, para se encontrar com os agentes de ligação.
23h55 - Na viatura de Salgueiro Maia, estacionada junto ao Jardim da República, é-lhe entregue a ordem de operações e acertados os últimos detalhes. Uma viatura da PIDE/DGS ronda a zona e segue o capitão à distância.
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DIA 24
03h00 - O agente de ligação entrega ao major Albuquerque, do Centro de Instrução e Condução Auto 1 (CICA 1), as ordens de operações referentes às unidades da Zona Norte.
Madrugada – Recepção, no Regimento de Infantaria 14 (RI 14), em Viseu, da ordem de operações. O capitão Ferreira do Amaral transmite as instruções a Lamego e o capitão Aprígio Ramalho à Guarda.
08h00 - O capitão Castro Carneiro e o alferes Pêgo, do CICA 1, iniciam a viagem destinada a entregar as ordens de operações às unidades de Lamego (capitão Delgado da Fonseca), Vila Real (capitão Mascarenhas) e Bragança (Capitão Freixo).
08h30 - Os oficiais da EPC, ligados ao MFA, iniciam nas paradas, no maior sigilo, os contactos com os cerca de cinquenta graduados (oficiais subalternos do Quadro Permanente, alferes, aspirantes, furriéis e cabos milicianos), individualmente, comunicando-lhes que, se a senha e contra-senha forem para o ar, a operação decorrerá nessa madrugada.
c. 09h30 - O capitão Santa Clara Gomes, oficial de ligação, entrega ao major Cardoso Fontão a ordem de missão referente ao Batalhão de Caçadores 5 (BC 5).
10h00 - Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva de Grândola Vila Morena como senha nacional, garantindo este a sua transmissão.
c. 10h00 - Otelo envia, da estação dos CTT da rua D. Estefânia, o telegrama cifrado a Melo Antunes, contendo o GDH.
11h00 - Carlos Albino adquire na então livraria Opinião o disco «Cantigas de Maio», para garantia, já que, desde Dezembro de 73 havia indícios de que a PIDE se preparava para um assalto aos escritórios do Limite, na Praça de Alvalade.
- O capitão Costa Martins contacta João Paulo Dinis e informa-o que o sinal foi antecipado em uma hora.
14h00 - O jornal República insere uma curta notícia, intitulada «LIMITE», com o seguinte teor: "O programa «Limite» que se transmite em Rádio Renascença diariamente entre a meia-noite e as 2 horas, melhorou notoriamente nas últimas semanas. A qualidade dos apontamentos transmitidos e o rigor da selecção musical, fazem de «Limite» um tempo radiofónico de audição obrigatória.»
14h?? - O major Neves Rosa comunica a Otelo que o último elemento de ligação tinha cumprido a missão.
15h00 - Encontro decisivo de Carlos Albino com Manuel Tomás (técnico da Rádio Renascença e um dos responsáveis pelo programa Limite que regressara de Moçambique com fama de democrata) para a execução da senha e garantia da sua transmissão. Refira-se que, sendo o Limite um programa independente, era obrigado a passar por duas censuras: a da Rádio Renascença e a oficial, esta última corporizada num coronel que acompanhava as emissões em directo e visava previamente os textos. Para maior segurança, retiram-se dos estúdios para um local seguro.
15h30 - Na Igreja de S. João de Brito, simulando rezar, combinam todos os pormenores técnicos da senha.
17h00 - Os tenentes Baluda Cid, Ramos Cadete e Silva Aparício saem da EPC e dirigem-se a Lisboa, com a missão de "controlar", "aliciar" alguns oficiais e tentar "inoperacionalizar" algumas viaturas blindadas do RC 7.
- Manuel Tomás convoca Leite de Vasconcelos (um outro responsável pelo referido programa, companheiro de Manuel Tomás em Moçambique), em dia de folga na locução do Limite, para «gravar poemas». Carlos Albino escreve textos para serem visados pelo censor.
17h30 - Os graduados milicianos da EPC ultimam os preparativos para a operação, designadamente quanto a material e equipamentos.
19h00 - Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco com a duração de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas Geografia e Revolução Solar, da autoria de Carlos Albino, e a canção Coro da Primavera.
20h00 - Na Rádio Renascença, Leite de Vasconcelos procede à gravação dos textos que lhe são apresentados, desconhecendo o seu objectivo.
21h00 - Otelo entrega ao capitão António Ramos, no Jornal do Comércio, o conjunto de documentos finais e um saco com granadas. Pede-lhe para permanecer toda a noite junto de Spínola, juntamente com outros oficiais de confiança, assegurando-lhe que uma força militar iria garantir a segurança próxima da residência do general, sita na rua Rafael Andrade, ao Paço da Rainha.
- Os oficiais da Força Aérea (tenente-coronel Sacramento Gomes, majores Costa Neves e Campos Moura e capitães Correia Pombinho, Mendonça de Carvalho, Santos Silva e Santos Ferreira) que constituem o «10º Grupo de Comandos» reúnem-se em frente ao Grill do Hotel Ritz e iniciam a vigilância ao Rádio Clube Português
21h30 - Fecho da porta de armas da EPC. Os militares contactados, que haviam saído da unidade, fazem a sua entrada, trajando à civil, para não alertar os elementos da PIDE/DGS que rondam o quartel.
21h50 - O tenente miliciano Sousa e Silva, oficial da dia na EPC, é substituído nesta função, para poder tomar parte na operação.
c. 21h45 - O capitão Santos Coelho, do RE 1, junta-se aos seus camaradas do «10º grupo de comandos» e distribui-lhes armas e munições. Procede, em seguida, à leitura da ordem de operações e à recapitulação das missões.
22h00 - Otelo regressa ao RE 1, onde se farda. Recebe do major Sanches Osório os primeiros quatro comunicados, entregues por Vítor Alves, bem como a notícia de que o Regimento de Infantaria 1 (Amadora) não adere, deixando, assim, de garantir o cerco à prisão de Caxias e a protecção de Spínola. Entrega os comunicados ao seu adjunto para que este os faça chegar ao grupo de comandos que tomará o R.C.P.
- O capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na "Operação Fim Regime", dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem de Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação.
22h30 - No Posto de Comando encontra-se reunido o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA). Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).
c. 22h48 - Uma falha técnica suspende, durante alguns minutos, a transmissão dos Emissores Associados de Lisboa, facto que causa natural apreensão nas largas dezenas de militares que aguardam ansiosamente o primeiro sinal para entrar em acção.
c. 22h51 - Restabelecimento da emissão dos E.A.L..
22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.
23h00 - Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade da Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel.
- Recolhem à Escola Prática de Infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo.
- O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, LP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2):
- No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA. A adesão é total.
- O capitão António Ramos abandona as instalações do Jornal do Comércio e dirige-se para a residência do general Spínola, aonde acorreram, durante a madrugada, o tenente-coronel Dias de Lima e o major Carlos Alexandre de Morais.
23h25 - O capitão Garcia Correia chega à porta de armas da EPC, acompanhado do 2º comandante, tenente-coronel Henrique Sanches, que nessa noite havia convidado para jantar em sua casa, na expectativa de o aliciar para o movimento, o que se revelara infrutífero. Este, verificando que o oficial de dia fora substituído, ordena-lhe que retire imediatamente o braçal, no que não é obedecido.
23h30 - Henrique Sanches convoca para o seu gabinete o major Costa Ferreira, os capitães Garcia Correia e Correia Bernardo, o tenente Ribeiro Sardinha e o oficial de dia substituto, capitão Pedro Aguiar. O seu objectivo é demovê-los da acção revolucionária. No entanto, é informado da sua determinação em prosseguir a acção, bem como de todos os oficiais presentes nessa noite na EPC.
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DIA 25
00h00 - João Paulo Dinis conclui o programa nos E.A.L. e regressa a casa, seguindo instruções do chefe militar do MFA.
00h20 – Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.
c. 00h30 - Na EPAM, um grupo de capitães e subalternos armados dá voz de prisão ao oficial de dia, alferes miliciano Pinto Bessa, e ao oficial de prevenção, aspirante miliciano Leão. O capitão Gaspar assume provisoriamente as funções de oficial de serviço.
- No Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM) começam-se a encher carregadores na arrecadação de material de guerra.
- Na EPA continua-se (iniciada às 23h00) a preparação final do golpe, onde o capitão Santos Silva assumira já o comando, acolitado pelos tenentes Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão.
- Na EPI, os capitães Rui Rodrigues, Aguda e Albuquerque ordenam a formatura da companhia de intervenção, a três bigrupos de cinquenta homens. O capitão Silvério executa o plano de defesa do quartel. Os majores Aurélio Trindade e Cerqueira Rocha convidam o coronel Jasmins de Freitas a aceitar o comando da unidade.
00h40 - Na EPC, em Santarém os oficiais do MFA procuram obter a adesão ao Movimento do tenente coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procedem à sua detenção.
- No Campo de Tiro da Serra da Carregueira (CTSC) os capitães Oliveira Pimentel e Frederico Morais iniciam a preparação dos homens para levar a bom termo a sua missão - conquistar a Emissora Nacional.
01h00 - No BC 5 o major Fontão ordena ao alferes Frazão que controle e mantenha pessoal de guarda à central telefónica. Manda fechar os portões e neutralizar a central rádio.
- No CIMSM o tenente Luís Pessoa reúne os cabos milicianos e consegue a sua adesão imediata.
- Na EPC o major Rui Costa Ferreira assume o comando.
01h30 - Na EPC Salgueiro Maia manda acordar o pessoal e formar em parada. A adesão é entusiástica. Salgueiro Maia comandará a força tendo o tenente Alfredo Assunção como seu adjunto.
- No CIAAC, em Cascais, um grupo de jovens oficiais vê impedida a sua entrada na unidade que, ao contrário do que se previa, não adere ao Movimento. Contactam o Posto de Comando pedindo nova missão.
- Na EPAM os soldados são armados. No exterior tudo está tranquilo.
- No RI 14 os capitães Gertrudes da Silva, Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral e Augusto convocam os oficiais subalternos e esclarecem a situação. Controlam a central telefónica e os postos de rádio da ordem pública e do Serviço de Telecomunicações Militares (STM).
- No Regimento de Cavalaria 3 (RC 3), em Estremoz, é problemático o cumprimento da missão: marchar sobre Lisboa com uma coluna de autometralhadoras, estacionando na zona da portagem da Ponte Salazar, aguardando ordens do Posto de Comando. O comandante, coronel Caldas Duarte, mostra-se indeciso e pede tempo para reflectir.
02h00 - No RI 14, em Viseu, inicia-se a preparação da companhia que vai seguir para a Figueira da Foz, onde se juntará a outras unidades em acção (RI 10, CICA 2, RAP 3) com vista a constituir o agrupamento «November».
- A companhia de intervenção a três bigrupos comandada pelo capitão Rui Rodrigues abandona a EPI, em Mafra, para seguir por Malveira, Loures, Frielas e Camarate até ao Aeroporto da Portela, que deverá ocupar e defender.
- No BC 5 o major Cardoso Fontão manda distribuir armas, munições e aparelhos de rádio e formar as companhias.
- Do CTSC saem duas viaturas pesadas e um jipe, com um total de 47 homens, e dirigem-se para o seu objectivo.
02h30 – Os capitães Dinis de Almeida e Fausto Almeida Pereira executam vitoriosamente o plano de controlo do Regimento de Artilharia Pesada 3 (RAP 3), na Figueira da Foz, neutralizando os subalternos milicianos em serviço. Almeida Pereira abre o portão da unidade aos oficiais da Escola Central de Sargentos (ECS) de Águeda.
- Forças da EPI iniciam a ocupação dos pontos chave de Mafra, assegurando o domínio da vila e dos respectivos acessos.
02h40 - Forças da Escola Prática de Engenharia (EPE) saem de Tancos para se dirigirem à ponte da Golegã-Chamusca, e aí se juntarem às Companhias de Caçadores 4241/73 e 4246/73 oriundas de Santa Margarida.
02h50 - Uma coluna da EPAM, num total de cerca de cem homens, montados em duas viaturas ligeiras e três pesadas, comandada pelo capitão Teófilo Bento, inicia a curta marcha em direcção ao objectivo.
03h00 - A Rádio Televisão Portuguesa (R.T.P.) - Mónaco na linguagem cifrada dos militares revoltosos - é tomada de assalto pela força da EPAM.
- As 16 viaturas militares, precedidas de um automóvel de exploração civil, que constituíam a força da EPA - composta por uma bateria de artilharia (BTR 8,8) e uma companhia de artilharia motorizada comandadas, respectivamente, pelos capitães Oliveira Patrício e Mira Monteiro - cruzam a porta da unidade e partem de Vendas Novas em direcção a Lisboa.
- Uma bateria de artilharia (BTR 10,5) da EPA, comandada pelo capitão Duarte Mendes, ocupa posições a cavaleiro das estradas de Montemor-o-Novo e Lavre, assegurando a interdição destes eixos viários e garantindo a segurança próxima da unidade.
- Abrem-se os portões do quartel do BC 5 dando saída a duas companhias operacionais.
- O major Campos Moura e o capitão Correia Pombinho, encarregues de assinalar a saída dos homens do BC 5 e que aguardam na viatura do primeiro, escondida por detrás de sebes fronteiras à Penitenciária, partem de imediato para informar o 10º «Grupo de Comandos» do facto.
- Em Lamego, no Centro de Instrução de Operações Militares (CIOE), o seu comandante, tenente-coronel Sacramento Marques dá ordem de saída a uma companhia de tropas especiais que, após cinco horas de percurso, entrará no Porto.
- Nesta cidade, uma força do CICA 1, comandada pelo tenente-coronel Carlos Azeredo, penetra no Quartel-General da Região Militar do Porto (QG/RMP), transformando-o no posto de comando das forças em operações na Região Norte.
03h07 - Encontro do 10º «grupo de comandos» com a segunda companhia do BC 5, comandada pelo tenente Mascarenhas, na confluência da rua Castilho com a Sampaio Pina. O major Fontão estabelece contacto proferindo a senha Coragem! a que o capitão Mendonça de Carvalho responde com Pela Vitória!
03h12 - Efectuada a junção com êxito, encaminham-se para a entrada do Rádio Clube Português que o porteiro Alcino Leal virá a abrir, dando entrada a oito oficiais, sete dos quais armados com pistolas Walther. Estava conquistado sem incidentes o R.C.P., tendo o capitão Santos Coelho informado, de seguida, o Posto de Comando de que México passara para as mãos do MFA.
03h15 - A coluna do CTSC, comandada pelos capitães Frederico Morais e Oliveira Pimentel, chega à Emissora Nacional (E.N.) e ocupa a estação de rádio oficial. Tóquio viera completar o domínio de três objectivos fundamentais na área da comunicação social.
c. 03h15 - As Companhias de Caçadores (Ccaç) 4241/73 e 4246/73 encontram-se com a EPE. A Ccaç 4241/73 marcha para o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto; a Ccaç 4246/73 dirigir-se-á a Vila Franca de Xira para dominar a Ponte Marechal Carmona e a EPE seguirá para Lisboa a fim de ocupar posições de defesa na Casa da Moeda.
03h16 - No posto de comando do MFA é interceptada uma conversa telefónica entre o general Andrade e Silva, ministro do Exército e o Prof. Silva Cunha, ministro da Defesa, trocam impressões sobre a situação geral, revelando que tinham conhecimento de que se preparava um jantar importante de carácter conspirativo, mas que a DGS vigiava os oficiais. O primeiro membro do governo, entre outras considerações, afirma que "A situação está sem alteração e perfeitamente sob controlo...está tudo sossegado e não há qualquer problema em qualquer ponto do País." A chamada é interrompida porque o responsável máximo da DGS se encontrava noutro telefone para falar com o ministro da Defesa.
03h30 - A força da EPC - com 10 viaturas blindadas, 12 viaturas de transporte de tropas, duas ambulâncias e um jipe e precedida por uma viatura civil, com três oficiais milicianos - comandada pelo capitão Salgueiro Maia, cruza a porta da unidade e sai de Santarém em direcção a Lisboa.
- A primeira companhia do BC 5, comandada pelo capitão Bicho Beatriz, toma posições de cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa (QG/RML). O oficial de serviço, aspirante Silva, informa o chefe do Estado-Maior, coronel Duque, da situação. Inicia-se, a partir de então, de acordo com a cadeia hierárquica, o processo de prevenção dos principais responsáveis das Forças Armadas.
- Carlos Albino e Manuel Tomás retiram-se das instalações da Rádio Renascença.
c. 03h30 - Surge o primeiro alarme oficial das forças governamentais sobre a eclosão do Movimento, na cidade do Porto: o coronel Santos Júnior, comandante da PSP local, informa o Comando da GNR da tomada do QG/RMP pelos revoltosos.
03h31 – Os ministros da Defesa e do Exército retomam o diálogo telefónico, acabando por concluir que o Presidente da República, nesse dia, "pode deslocar-se à vontade, porque, por lá (Tomar), está tudo calmo".
03h40 - A coluna do RI 10 de Aveiro, comandada pelo capitão Pizarro, chega aos portões do RAP 3. O coronel Sílvio Aires de Figueiredo, comandante da última unidade, é detido, nessa altura, pelo capitão Dinis de Almeida. Decorrerá ainda algum tempo até que se constitua o Agrupamento Norte: a coluna do RAP 3 demora a formar, é preciso municiar as tropas chegadas de Aveiro, aguarda-se que cheguem as forças do Centro de Instrução de Condução Auto 2 (CICA 2) da Figueira da Foz e do RI 14 de Viseu.
03h55 - A companhia do RI 14 autotransportada, comandada pelo capitão Silveira Costeira, constituída por 4 viaturas pesadas, 1 ambulância e 1 viatura de exploração civil, sai do quartel passando por Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia e Cantanhede.
03h56 - O Posto de Comando toma conhecimento que foi quebrado o factor surpresa. O documento onde são anotadas as escutas telefónicas – intitulado A Fita do Tempo – regista: «Concentração que avança sobre Lisboa. Ele (Min. Ex?) vai já para lá (?)».
03h57 - A ausência de notícias da coluna da EPI, que ainda não conquistara o Aeroporto, conduz ao adiamento da transmissão do primeiro comunicado inicialmente prevista para as 4h00.
04h00 - Um pelotão do BC 5 desloca-se para a residência de António de Spínola, a fim de garantir a sua segurança.
- O programa «A noite é nossa», do R.C.P., deixa de transmitir publicidade, passando a emitir apenas música.
04h15 - O general Eduardo Martins Soares, comandante da RMP, apela aos coronéis Rui Mendonça, comandante do RI 8, e Carneiro de Magalhães, comandante do RI 13, ambos de Braga, para avançarem sobre o Porto e libertarem o QG das mãos dos insurrectos. Nos dois casos, os oficiais das unidades recusam-se a cumprir tais ordens.
04h20 - A coluna da EPI, comandada pelo capitão Rui Rodrigues, assume o controlo do Aeródromo Base nº 1 (Figo Maduro) e do Aeroporto de Lisboa. O capitão Costa Martins emite um comunicado NOTAM, interditando o espaço aéreo português e desviando o tráfego para os aeroportos de Las Palmas e Madrid. Nova Iorque encontra-se sob o controlo do Movimento.
04h22 - Em resposta a um telefonema de Silva Cunha, a mulher do Ministro do Exército informa-o que «O Alberto saiu agora de casa».
04h26 - O Rádio Clube Português transmite o 1º comunicado do Movimento das Forças Armadas, lido por Joaquim Furtado. Seguem-se o Hino Nacional e marchas militares, designadamente uma da autoria de John Philip de Sousa que se viria a transformar no hino do MFA. Os portugueses começam a tomar conhecimento de que algo de muito importante se está a desenrolar no País.
- No Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 (GACA 2) de Torres Novas os capitães do Quadro Permanente, Pacheco, Dias Costa e Ferreira da Silva, conseguem a adesão dos tenentes milicianos comandantes de companhias mobilizadas para o Ultramar e que aguardam embarque.
04h30 - Rendição do QG/RML. O major Cardoso Fontão comunica ao posto de comando que Canadá fora ocupado sem incidentes.
- Forças do CICA 1 detêm, à saída da sua residência, o chefe do Estado-Maior do Q.G./R.M.N., coronel Ramos de Freitas.
04h45 - O 2º comunicado do MFA é emitido, apelando à desmobilização de eventuais acções contra o Movimento.
- O primeiro grupo do BC 5, comandado pelo major Fontão, penetra no interior do R.C.P.
- O alarme é dado no Quartel-General da Região Militar de Coimbra (QG/RMC). Rapidamente se apercebem de que a maior parte das unidades segue o Movimento.
- O governador da Região Militar de Lisboa reúne-se com o corpo do seu Estado-Maior na residência do respectivo subchefe.
05h00 - Após uma viagem sem problemas, a coluna da EPC passa na portagem da auto-estrada, em Sacavém.
c. 05h00.- No Quartel-General da Região Militar de Évora (QG/RME) é recebida ordem do Ministério do Exército para entrar de prevenção rigorosa.
- Marcelo Caetano recebe um telefonema do director-geral da PIDE/DGS, major Silva Pais, que lhe comunica estar a Revolução na rua, sendo a situação muito grave, pelo que se tornava necessário que o Presidente do Conselho se refugiasse no Quartel do Comando-Geral da GNR no Largo do Carmo.
05h15 - Leitura do 3º comunicado que, entre outros apelos, aconselha a população a permanecer em casa. Grande parte desta, pelo contrário, vai para a rua, passando a manifestar um acolhimento eufórico à iniciativa dos militares, misturando-se com eles, conferindo, assim, ao golpe militar, muitos dos contornos de uma verdadeira revolução.
05h19 - O general Nascimento telefona ao recém nomeado CEMGFA, general Luz Cunha, a informá-lo que "está muita tropa na rua e é preferível seguir para aqui".
c. 5h20 - O general Viotti de Carvalho, vice-chefe do Estado-Maior do Exército (EME) determina ao comandante da EPTm para proceder à escuta das comunicações militares e as relatasse para o Estado-Maior. No entanto, há largas horas que a referida unidade militar desempenhava aquela missão, mas a favor do MFA.
05h27 - O ministro do Exército ordena ao RI 6, do Porto, que liberte o Q.G./R.M.P, determinação que não será cumprida, uma vez que a unidade era afecta ao MFA.
05h30 - No itinerário para o Terreiro do Paço, Salgueiro Maia cruza-se com viaturas da Polícia de Segurança Pública, no Campo Grande e, cerca de 10 minutos depois, com a Polícia de Choque, na Av. Fontes Pereira de Melo, que não se manifestam.
c. 05h30 - O Comando Territorial do Algarve (CTA) ordena a entrada em prevenção rigorosa das suas três unidades.
05h32 – O ministro do Exército determina ao general Carvalhais que se ocupe da protecção dos CTT, Águas e Electricidade.
05h45 - O 4º comunicado sintetiza os anteriores alertando para que a situação não se encontra ainda totalmente controlada.
05h46 - O Ministro do Exército ordena ao comandante do Regimento de Cavalaria 7 (RC 7), coronel António Romeiras Júnior, que, com os carros de combate M47, tome posições em Vale de Cavalos para deter uma coluna da EPC que fora «referenciada no Cartaxo» e que «vem a caminho de Lisboa».
05h50 - Uma força do CICA 1 ocupa o centro emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.
c. 05h55 - As forças de Salgueiro Maia instalam-se no Terreiro do Paço, de forma marcadamente intimidatória. Encontram-se cercados os ministérios, a Câmara Municipal, a Marconi, o Banco de Portugal e a 1ª Divisão da P.S.P., estando dirigidas as metralhadoras para as janelas do Ministério do Exército. «Estamos aqui para derrubar o Governo» declara Salgueiro Maia ao jornalista Adelino Gomes.
05h59 - O ministro do Exército telefona ao coronel Romeiras Júnior, e ordena-lhe que "veja se consegue salvar esta coisa, pois estamos todos cercados", recebendo a resposta que as forças daquela unidade iam a caminho e já se encontravam na Av. 24 de Julho.
c. 06h00 - O Quartel-General da Região Militar de Tomar (QG/RMT) ordena às unidades que passem ao estado de prevenção rigorosa. Mas já há algumas horas que forças de Tancos (EPE), de Santa Margarida (Ccaç 4241 e 4246) e de Santarém se movimentam em apoio do MFA.
- A companhia do GACA 2 de Torres Novas, na qual ocorrera uma viragem da situação (de força inimiga passa a apoiante), ocupa o Quartel e resiste a todas as ameaças, apesar de se manter sem contactos com o Posto de Comandos do MFA até às 20h00 do dia 26.
06h05 - O alferes miliciano David e Silva chega ao Terreiro do Paço comandando um pelotão de AML/Chaimites reforçado com Panhards do RC 7, favorável ao Governo, mas adere imediatamente ao Movimento, colocando-se às ordens de Salgueiro Maia. A mesma atitude será tomada por dois pelotões do Regimento de Lanceiros 2 (RL 2) que guardam o Ministério do Exército, à excepção de sete elementos que virão a possibilitar a fuga aos membros do Governo aí refugiados.
06h10 - O ministro do Exército pede ao general da FA Henrique Troni para "mandar dois aviões sobrevoar o Terreiro do Paço".
06h50 - A bateria de obuses do Regimento de Artilharia Pesada 2 de Vila Nova de Gaia toma posição em ambas as entradas da Ponte da Arrábida, no Porto, dando acesso unicamente às «forças amigas» (do MFA).
- Uma força do RL 2, comandada pelo tenente Ravasco, tenta, sem êxito, recuperar o QG/RML.
07h00 - Forças da EPA de Vendas Novas, comandadas pelos capitães Patrício e Mira Monteiro, ocupam a colina do Cristo-Rei, em Almada (com o nome de código Londres).
- Surge no Terreiro do Paço, do lado da Ribeira das Naus, um pelotão de reconhecimento Panhard do RC 7, orientado pelo seu 2º comandante, tenente-coronel Ferrand de Almeida que, perante o dilema de ter de disparar ou de se render, opta por esta última posição, sendo preso.
- Uma coluna do RC 3 de Estremoz, sob o comando do capitão Andrade Moura e Alberto Ferreira, sai do Quartel e dirige-se a Setúbal, a fim de atingir a Ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril). Juntam-se-lhe os capitães Miquelina Simões e Gastão Silva, colocados no Regimento de Lanceiros 1 de Elvas, na sequência do frustrado golpe das Caldas.
- O Agrupamento Norte – envolvendo, nesta altura, forças do RAP 3 e CICA 2 da Figueira da Foz e do RI 10 de Aveiro - sai a porta de armas do Quartel e mete-se à estrada em direcção a Leiria.
07h30 - O RI 14 de Viseu chega à Figueira da Foz e integra as forças do Agrupamento Norte muito antes da sua chegada a Leiria, assumindo o comando o capitão Gertrudes da Silva.
- É lido por Luís Filipe Costa o 5º comunicado do Movimento das Forças Armadas, em que se fornecem elementos acerca dos objectivos do MFA.
- É detido, nas imediações do R.C.P., o tenente-coronel Chorão Vinhas, comandante interino do BC 5.
- Uma segunda coluna da EPC, constituída por cinco carros de combate (2 M47 e 3 M24) e dois pelotões de atiradores (cerca de 60 homens), comandada pelo capitão Correia Bernardo, atinge o perímetro de Santarém, pronta para avançar para Lisboa em apoio da coluna de Salgueiro Maia. A evolução favorável dos acontecimentos acabou por tornar desnecessária tal medida.
07h40 - A Companhia de Caçadores (Ccaç 4241/73) ocupa o centro emissor do R.C.P., em Porto Alto.
07h50 - Os capitães Glória Alves e Ferreira Lopes, à frente de um pelotão do Centro de Instrução de Condução Auto 5 (CICA 5) de Lagos, ocupam o centro retransmissor de Fóia.
08h00 - Verifica-se o corte de energia ao centro emissor do R.C.P., em Porto Alto, que passa a funcionar com o gerador de emergência.
- A Companhia do CIOE, comandada pelo capitão Delgado da Fonseca, chega à cidade do Porto, dirigindo-se ao CICA 1.
08h15 - Uma força da GNR saída do Quartel do Cabeço de Bola, constituída por 12 "Land Rover", toma posição no Campo das Cebolas. Após um breve diálogo com Salgueiro Maia e face à disparidade de meios, o comandante é convencido a abandonar o local.
08h22 – O CEMGFA, general Luz Cunha, informa o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Paiva Brandão, que "pretende utilizar meios da Escola Prática do Serviço de Material (EPSM) para tomar posições e libertar o AB 1. Irem pela auto-estrada e tomarem estrada secundária. Terem cuidado com o Cmdt. dessa força porque a entrega do Ferrand o deixou muito em baixo".
08h30 - É lido, pela primeira vez na Emissora Nacional, um comunicado do MFA.
08h50 - Uma coluna de nove viaturas militares da EPE de Tancos estaciona no centro emissor do R.C.P., a fim de reforçar a sua defesa. Mais tarde segue para Lisboa onde ocupa a Casa da Moeda, seu objectivo inicial.
09h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho, comandada pelo capitão-de-fragata Seixas Louçã, toma posição no Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, intimidando directamente as forças de Salgueiro Maia. Perante esta situação, a artilharia do Movimento, já estacionada no Cristo-Rei, recebe ordens do Posto de Comando para afundar a fragata no caso desta abrir fogo. O vaso de guerra terá recebido ordem do vice-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jaime Lopes, "para se preparar para abrir fogo". A ordem de disparar nunca chegou.
- O major Cardoso Fontão detém, nas imediações do Q.G./R.M.L., o brigadeiro Serrano que, no 16 de Março, comandara o cerco ao RI 15.
- Chega à residência de Spínola o médico Carlos Vieira da Rocha, amigo do general e proprietário do automóvel Peugeot que os haveria de transportar, no final da tarde, ao Quartel do Carmo.
09h15 - Uma força da EPC, com uma AML e uma ETT/Panhard, comandadas pelo alferes Sequeira Marcelino e pelo aspirante Pedro Ricciardi, vai reforçar a protecção do QG/RML, em São Sebastião da Pedreira.
09h35 - Chega ao Terreiro do Paço uma força comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis, 2º comandante da RML, constituída por 4 CC/M47, uma companhia de atiradores do Regimento de Infantaria 1 e alguns pelotões da Polícia Militar. Dois dos carros de combate, comandados pelo major Pato Anselmo, tomam posições na Ribeira das Naus, enquanto os outros dois, sob o comando do coronel Romeiras Júnior, penetram na Rua do Arsenal.
09h40 - Protegidos pelos blindados do RC 7, os ministros da Defesa, Silva Cunha, do Interior, César Moreira Baptista, do Exército, Andrade e Silva, da Marinha, Pereira Crespo, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Joaquim Luz Cunha, o governador militar de Lisboa, Edmundo Luz Cunha, o subsecretário de estado do Exército, coronel Viana de Lemos e o almirante Henrique Tenreiro, fogem pelas traseiras do Ministério do Exército, abrindo um buraco na parede que comunica com a biblioteca do Ministério da Marinha. No parque de estacionamento interior tomam lugar numa carrinha que os transporta ao Regimento de Lanceiros 2, onde instalam o Posto de Comando das tropas leais ao Governo.
10h00 - Na Rua do Arsenal, o tenente Alfredo Assunção, da EPC, empreende uma tentativa de negociação com o coronel Romeiras Júnior e o brigadeiro Junqueira dos Reis.
- Este oficial-general agride com três murros o emissário dos revoltosos que responde com continência e uma rígida posição de sentido. O brigadeiro manda, em seguida, abrir fogo sobre ele, não sendo obedecido, por intervenção directa do coronel Romeiras. Assunção regressa, então, para junto das suas tropas.
10h10 - Chega ao Terreiro do Paço o tenente-coronel Correia de Campos, enviado do Posto de Comando da Pontinha, com a missão de coordenar as operações.
10h15 - Um grupo de comandos, que integra Correia de Campos e Jaime Neves, passa revista ao Ministério do Exército, confirmando a fuga dos ministros que tinha por missão prender, procedendo à detenção de diversos oficiais superiores, designadamente o coronel Álvaro Fontoura, chefe de gabinete do ministro do Exército que seriam, pouco depois, transferidos para o RE 1.
10h30 - Depois de algumas tentativas infrutíferas para a rendição do major Pato Anselmo, na Ribeira das Naus, esse intento é alcançado por um civil, o ex-alferes miliciano Fernando Brito e Cunha, que actua às ordens de Correia de Campos. Os dois carros de combate e as tropas que os seguiam passam-se para o lado dos revoltosos, ficando sob o comando de Salgueiro Maia.
- O Agrupamento Norte, comandado pelo capitão Gertrudes da Silva, atinge Peniche, com o objectivo de ocupar essa odiosa prisão política do Regime. Face à resistência da PIDE/DGS, a companhia do CICA 2 e duas secções de obuses do RAP 3 montam cerco àquele objectivo, seguindo o grosso da coluna para Lisboa.
10h45 – Face à perda de metade da sua coluna, o 2º comandante da RML transfere o CC/M47 do alferes miliciano Fernando Sottomayor (RC 7) para a Ribeira das Naus. Seguidamente, o brigadeiro Junqueira dos Reis ordena-lhe que abra fogo sobre Salgueiro Maia, quando este se encontra entre a esquina do Ministério do Exército e o muro para o rio Tejo, numa tentativa para obter a rendição do remanescente das forças fiéis ao governo. O oficial miliciano recusa-se a obedecer, sendo detido e transferido para o RL2.
10h50 - Junqueira dos Reis ordena, sem sucesso, aos soldados que abram fogo. Perante a desobediência generalizada, o oficial-general dá dois tiros para o ar e dirige-se para a Rua do Arsenal, onde se encontra o carro de combate do comandante do RC 7.
11h00 - Incapaz de se fazer obedecer, o 2º governador militar de Lisboa conserva as forças que lhe restavam nas posições que ocupavam, não tomando, naquela altura, mais nenhuma iniciativa.
- O governo consegue cortar a emissão em FM do R.C.P., desligando o comutador de Monsanto.
- É detido, por forças do BC 5, nas instalações do Quartel Mestre General, o seu responsável, general Louro de Sousa.
11h30 - As unidades estacionadas no Terreiro do Paço dividem-se, avançando:
- a Escola Prática de Cavalaria para o Quartel do Carmo, sendo, ao longo de todo o percurso, aclamada entusiasticamente pela população.
- forças dos Regimentos de Cavalaria 7, Lanceiros 2 e Infantaria 1 - que contavam com 16 blindados - comandadas por Jaime Neves e pelos tenentes de Cavalaria Cadete e Baluda Cid, para o Quartel-General da Legião Portuguesa (Marrocos).
11h45 - Difundido novo comunicado do MFA ao País, informando que, de Norte a Sul, a situação se encontra dominada e que "...em breve chegará a hora da libertação."
12h00 - A fragata Almirante Gago Coutinho retira para o Mar da Palha.
- No Rossio, uma companhia do Regimento de Infantaria 1 , da Amadora, comandada pelo capitão Fernandes, tenta barrar o caminho para o Quartel do Carmo, à coluna da EPC. Após curto diálogo com o comandante das tropas, estas passam para o lado de Salgueiro Maia.
12h30 - É montado o cerco ao Quartel da GNR, no Carmo, pela coluna da EPC.
12h45 - Forças hostis da GNR ocupam posições na retaguarda do dispositivo de Salgueiro Maia.
13h00 - Um comunicado do MFA tranquiliza as famílias dos militares envolvidos no movimento revoltoso.
- Face ao cerco do Quartel do Carmo, o brigadeiro Junqueira dos Reis dirige-se, com os dois CC/M47 e os lanceiros e atiradores que lhe restavam, para o Largo de Camões, na esperança de, conjuntamente com forças da GNR, tentar libertar o Presidente do Conselho. Tais intenções rapidamente se verificam inexequíveis. A companhia do RI 1 passa-se para as fileiras do MFA e uma parte da guarnição de um M/47 abandona-o, confinando o brigadeiro a uma posição de crescente fraqueza face ao aumento do poderio dos revoltosos.
13h15 - A coluna do RC 3 de Estremoz atinge o seu objectivo, a Ponte Salazar.
13h30 - Um helicanhão sobrevoa o Largo do Carmo, causando grande ansiedade entre militares e civis.
13h40 - O comandante e o Estado-Maior da Legião Portuguesa apresentam a sua rendição.
14h00 - Corte de energia ao emissor de Miramar (Porto) do R.C.P.
14h30 - É lido por Clarisse Guerra, aos microfones do Rádio Clube Português, um comunicado do MFA, no qual se dá conta dos objectivos e posições controlados e do ultimato para a rendição de Marcelo Caetano.
c. 15h10 - Salgueiro Maia solicita, com megafone, a rendição do Carmo em 10 minutos. Momentos antes recebera do Posto de Comando do MFA uma mensagem escrita pelo major Otelo Saraiva de Carvalho na qual ordena que apresente um aviso-ultimato para a rendição.
15h15 - São libertados da Trafaria os onze militares que aí se encontravam detidos em consequência do falhado golpe das Caldas.
15h30 - Não sendo atendido após 15 minutos, Salgueiro Maia ordena ao tenente Santos Silva para fazer uma rajada da torre da Chaimite sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição logo a seguir.
15h45 - Do Quartel do Carmo sai o major Hugo Velasco, membro do MFA, para falar com o capitão Salgueiro Maia.
16h00 - O coronel Abrantes da Silva, a pedido de Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com os sitiados.
- Forças do CIOE dirigem-se aos estúdios da R.T.P. (Monte da Virgem) e do R.C.P. (Tenente Valadim), no Porto, para proceder à sua ocupação.
16h15 - O capitão Salgueiro Maia dá ordens ao alferes miliciano Carlos Beato para instalar os seus homens no cimo das varandas do edifício da Companhia de Seguros Império e fazer fogo sobre a frontaria do Carmo, agora com armas automáticas G-3.
16h25 - O comandante da força da EPC, na ausência de resposta por parte dos sitiados no Quartel do Carmo, ordena a colocação de um blindado em posição de tiro e chega a dar "voz" de "um, dois"..., sendo interrompido pelo tenente Alfredo Assunção que conduz dois civis até ele. Trata-se de Pedro Feytor Pinto, director dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, e Nuno Távora, que se dizem portadores de uma mensagem do general Spínola para Marcelo Caetano.
16h30 - Salgueiro Maia autoriza a entrada no Quartel dos dois mensageiros.
c. 16h30 - Spínola comunica ao Posto de Comando do MFA ter recebido um pedido de Marcelo Caetano para ser ele a aceitar a rendição do chefe do governo. Otelo, após recolher a opinião dos presentes, concede-lhe esse mandato.
16h45 - Os dois mensageiros saem do Quartel do Carmo e deslocam-se num jipe, acompanhados por Alfredo Assunção, para casa de Spínola que, entretanto, se dirige já para o Carmo.
17h00 - Salgueiro Maia desloca-se ao interior do Quartel e fala com Marcelo Caetano que, após ter colocado algumas perguntas, lhe solicita que um oficial-general vá efectuar a transmissão de poderes (Spínola, com quem, aliás, falara já ao telefone) para que o poder não caia na rua.
17h00 - Salgueiro Maia pede a Francisco Sousa Tavares e a Pedro Coelho, oposicionistas ligados à CEUD e ao PS, para ajudarem a afastar a população. Sousa Tavares sobe para uma guarita da GNR e, usando o megafone, apela à calma.
17h45 - Chegada ao Largo do Carmo do general António de Spínola, acompanhado pelo tenente-coronel Dias de Lima, major Carlos Alexandre Morais, capitão António Ramos e dr. Carlos Vieira da Rocha. Após longos minutos envolvido pela multidão, o Peugeot que transportava Spínola consegue, finalmente, chegar junto da porta de armas do quartel.
18h00 - António de Spínola, acompanhado por Salgueiro Maia (que o informa sobre o modo como os membros do Governo serão retirados das instalações), entra no Quartel do Carmo para dialogar com Marcelo Caetano.
18h15 - Spínola encontra-se com Marcelo e informa-o dos procedimentos que serão adoptados para a sua saída do local e posterior evacuação para a Madeira. Enquanto isso, Salgueiro Maia pede à população que abandone o Largo do Carmo, a fim de se proceder à retirada do Presidente do Conselho e dos ministros. O apelo é ignorado.
18h20 - Um comunicado do MFA informa o País da entrega de Marcelo Caetano e de membros do seu ex-governo, refugiados no Carmo.
18h25 - Às ordens de Salgueiro Maia, soldados formam um cordão em frente da porta de armas do Quartel, por forma a ser possível retirar Marcelo Caetano em segurança.
18h30 - O Agrupamento Norte chega a Lisboa.
- Numa manobra difícil, a autometralhadora Chaimite penetra, de marcha atrás, no Quartel do Carmo.
19h00 - Marcelo Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista abandonam o Quartel do Carmo, sendo conduzidos na autometralhadora Chaimite "Bula", em direcção ao Quartel da Pontinha.
- A Baixa de Lisboa é invadida por enorme multidão que vitoria as Forças Armadas e a Liberdade.
19h50 - Comunicado do MFA anunciando formalmente a queda do Governo.
20h05 - É lida, através dos emissores do RCP, a Proclamação do Movimento das Forças Armadas.
c. 20h30 - Na Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS, agentes desta polícia política abrem fogo sobre a multidão que se aglomera na referida artéria, causando 4 mortos e dezenas de feridos.
21h00 - A Chaimite "Bula" e a coluna da EPC atingem o Quartel da Pontinha.
c. 21h00 - Forças do RAP 3 e da EPI deslocam-se ao Comando da 1ª Região Aérea, em Monsanto, para proceder à detenção dos ministros da Defesa, do Exército e da Marinha, e de outras altas patentes militares que ali se haviam refugiado desde a tarde, conduzindo-os ao RE 1.
22h00 - Forças de pára-quedistas chegam à prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS continua a resistir.
23h30 - Chegada da EPC ao RC 7 e RL 2 que ocupa, perante a rendição, sem resistência, dos seus comandantes.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

25 de Abril em Oliveira do Bairro - Comemorações


Tal como havia prometido, aqui deixo o programa das comemorações do 25 de Abril de 1974 em Oliveira do Bairro.

O Presidente da Assembleia Municipal convida todos os Oliveirenses a participar na comemoração do 36º Aniversário do 25 de Abril, data que a todos muito deve dizer e significar. Vamos celebrá-la em conjunto com o máximo de dignidade e respeito, para que se mantenha viva e presente.

25 de Abril - 36º Aniversário
Programa das Comemorações do 25 de Abril '10


10.00h Cerimónia de Homenagem aos Mortos da Guerra Colonial
Com a Presença do Núcleo de Aveiro da Liga dos Combatentes
Monumento aos Combatentes do Ultramar - Av. Dr. Abílio Pereira Pinto


10.20h Recriação dos "Primeiros Sinais" do 25 de Abril
Com a Presença da Banda Filarmónica da Mamarrosa
Exterior do Edifício dos Paços do Concelho


10.30h Hastear das Bandeiras
Exterior do Edifício dos Paços do Concelho


10.40h Descerramento da Fotografia do Sr. Eng. Dias Cardoso na Galeria dos Presidentes da Assembleia Municipal
Salão Nobre dos Paços do Concelho


10.50h Cerimónia Protocolar da Assembleia Municipal
Salão Nobre dos Paços do Concelho


11.30h Leitura do Comunicado da Rendição do Quartel do Carmo
Salão Nobre dos Paços do Concelho


11.40h Inauguração da Exposição “Abril da Pequenada“
Intervenção do Sr. Prof. António Oliveira
Sala de Exposições dos Paços do Concelho

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Comemorações 25 de Abril 1974


Estamos a poucos dias da comemoração de mais um aniversário do 25 de Abril de 1974.
Há muito tempo que tenho a opinião que as comemorações no Município de Oliveira do Bairro, deveriam ser diferentes e muito mais envolventes da sociedade civil. Considero também que a aposta deve recair nos mais novos, com o desenvolvimento de trabalhos nas escolas.
Este ano a Comissão Permanente da Assembleia Municipal está a dar um primeiro passo neste sentido e assim, vão haver novidades fresquinhas em breve acerca destas comemorações.
No que me diz respeito pessoalmente, irei através deste Blog e durante os dias que faltam, fazer a divulgação de diversos eventos que se vão realizando nas redondezas, bem como a (Re)publicação de alguns artigos sobre esta matéria.
É um contributo pequeno, mas é sempre um contributo.
Deixo já aqui o primeiro, que apesar de estar em cima da hora não posso deixar de o divulgar.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Boas Noticias para Bustos


Na última assembleia municipal, foi dado a conhecer, pelo Sr. Presidente de Câmara que tinha sido publicado em Diário da República o anuncio do concurso público para a instalação da Rede de Drenagem de Águas Residuais do Sobreiro, Póvoa e Zona Central de Bustos.
Trata-se da Instalação de rede de drenagem de águas residuais, numa extensão de 12.023 metros, incluindo a execução de seis estações elevatórias e 475 ramais domiciliários.
Acredito que são boas notícias para a freguesia de Bustos, que obviamente estava carenciada desta infra-estrutura.
O anúncio poderá ser consultado aqui

Fecho do ano 2009

Com o fim desta última Assembleia Municipal que se estendeu até ontem dia 12/04/2010, está encerrado o ano de 2009.
Com ele um ciclo de 4 anos de Mudança em Oliveira do Bairro liderado por um executivo do PSD e à sua frente Mário João Oliveira.
Deixo-vos aqui, a minha intervenção relativamente ao ponto de Apreciação e Votação do Relatório de Gestão de 2009 e dos Documentos de Prestação de Contas 2009



Na leitura de um relatório de contas, as análises podem ser feitas das mais variadas formas.
Uns poderão ver na óptica das receitas, outros pela despesa, outros ainda na óptica dos activos e passivos, esta diversidade estende-se até aos rácios económico/financeiros e muitos olharão sobretudo para os valores imateriais subjacentes a estes documentos.
No meu entender para se fazer uma análise de um relatório de contas de uma Autarquia, temos de ter em conta as principais atribuições, nomeadamente, proporcionar mais e melhores serviços públicos, a melhoria da qualidade de vida das populações e o desenvolvimento socioeconómico do Município.
Essa avaliação da actuação da equipa liderada pelo Sr. Mário João Oliveira só poderá considerar-se muito positiva, uma vez que ainda há poucos meses atrás os Munícipes manifestaram um esmagador apoio ao projecto político do PSD. Estes documentos encerram um ciclo político de Mudança desejada pelos Oliveirenses.

Tínhamos e temos como bandeira “Apostar no futuro é apostar na Educação”.
-Reabilitamos todas as escolas básicas e do ensino pré-escolar.
-Estão reunidas todas as condições para em breve vermos no terreno, os 8 novos pólos escolares em funcionamento.
-Construímos e colocámos em funcionamento o IEC na Mamarrosa,
-Ampliamos a Escola de Artes da Bairrada e triplicamos o seu número de alunos;
-Construímos vários Parques Infantis no Município
-Construímos e colocamos em funcionamento o Espaço Inovação, obra que ascendeu na sua totalidade a 5 milhões de €uros;
-Criámos eventos como a Feira do Cavalo, Carnaval da Pequenada, Festa da Criança e o VIVA as Associações que pela grande adesão que tem tido foram apostas ganhas;
- Criámos o TOB;
-Demos nova vitalidade à Fiacoba;
-Apoiámos de forma inequívoca a programação cultural no nosso município patrocinando de dois em dois meses uma peça de teatro com actores de dimensão nacional;
Enfim soubemos corresponder às expectativas dos Oliveirenses.

Senhor Presidente

Permita-me que recorde algumas apreciações do passado.
Quem não se lembra da afirmação da oposição em 2009 quando classificou a gestão que originou o documento anterior a este, e passo a citar “A política dos 3 F’s (festas, foguetes e fotografias).”
Pois é meus Srs tenho de concordar convosco.
Na freguesia da Palhaça quando surgir em breve o novo espaço para a realização da feira, os Palhacense vão estar em Festa, lançarão certamente muitos foguetes e ficarão à vossa espera para tirar nesse dia umas fotografias.
Tudo isto vai ser uma realidade muito em breve, e estou convicto que as pessoas da minha freguesia saberão acolher todos sem excepção, mesmo aqueles que não acreditaram neste projecto.


Se bem me recordo em 2007 pela voz da Bancada do CDS/PP A Câmara municipal de Oliveira do Bairro apresentava sintomas de doença.
Em 2008 pela mão da mesma bancada dizia-se e passo a citar “há muito tempo que a Câmara Municipal não investia tão pouco no Concelho”
E o que dizem agora ao montante total executado em 2009 cerca de 20 milhões de euros, a maior execução orçamental de sempre.

Sr Presidente da Câmara não posso perder esta oportunidade para lhe fazer esta pergunta.
Quando é que vai ultrapassar este valor histórico de execução? Será já este ano ou no próximo?

Execução Financeira podia ser melhor??? Podia
O impasse no projecto da Alameda, projecto este estruturante para a nossa cidade e concelho, criado por todos aqueles que sobejamente conhecemos, tem um peso negativo Enorme, atrevo-me até a dizer mais tem um peso BRUTAL, na execução financeira de 2009.
De acordo com as informações recentes o desfecho deste processo judicial estará para breve.
Mas?!?!?!?!?!….. Há sempre um Mas………
É necessário que quem criou este problema e que agora sai derrotado saiba tirar as devidas ilações políticas e tenha a hombridade de se penitenciar perante o município.

Sr. Presidente
Sras e Srs Deputados,


Para alguns só existem prestações de contas criticáveis, orçamentos mal conseguidos e dívidas a partir de dois mil e seis.

Para mim existe:
Mais qualidade de vida,
Mais e melhores serviços
Mais desenvolvimento socioeconómico.

Quase me apetece dizer:

“Oliveira do Bairro podia viver sem o Executivo do PSD, Liderado por Mário João Oliveira?
Poder podia, mas não era a mesma coisa”


Disse,

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As minhas músicas de outros tempos....


Gostava que este espaço não se tornasse tão pesado.
E por isso tomei a liberdade, de à semelhança de tantos outros sítios na net, acrescentar um ligeiro toque musical.
Desta feita deixo-vos aqui a minha 1ª Playlist.
Tratam-se de algumas músicas que marcaram a minha Juventude.
Espero que gostem.

Assembleia Municipal - 09-04-10


Na semana que atingimos as 1000 visitas a este espaço, convido-vos a estarem presentes na próxima Assembleia Municipal em Oliveira do Bairro.
Considero que esta é a Assembleia mais importante do ano, por isso aqui fica a ordem de trabalhos:

1- INÍCIO DOS TRABALHOS

2- EXPEDIENTE

3- INTERVENÇÃO ABERTA AO PÚBLICO

4- PERÍODO ANTES DA ORDEM DO DIA

5- ORDEM DO DIA

5.1- Apreciação da informação do Sr. Presidente da Câmara acerca da Actividade Municipal;

5.2- Discussão e votação da revisão do Regimento da Assembleia Municipal;

5.3- Adesão do Município de Ovar ao Sistema de Água da Região de Aveiro e cedência de uma Quota parte das acções da AdRA que cada Município detém.

5.4- Apreciação e Votação do Relatório de Gestão de 2009 e dos Documentos de Prestação de Contas 2009;

5.5- Aprovação da proposta da Câmara Municipal para aplicação do Resultado Líquido do exercício de 2009;

5.6- Projecto de Regulamento sobre o Funcionamento e Utilização dos Equipamentos Desportivos Municipais;
5.7- Projecto de Regulamento dos Horários de Funcionamento dos estabelecimentos de Comércio e de Prestação de Serviços;

Local: Salão Nobre do Edifício dos Paços do Concelho - Oliveira do Bairro
Data: 09/04/2010
Hora: 19h30

quarta-feira, 24 de março de 2010

Palhaça Todos ao Palco


A Junta de Freguesia da Palhaça, lança um novo conceito para a promoção da Cultura na Freguesia da Palhaça. desta vez o nome do projecto chama-se "Palhaça Todos ao Palco".
Trata-se de um projecto em parceria com as Associações locais e que se estende até ao mês de Junho (Sempre no último Sábado)
A primeira actividade tem já lugar dia 27, próximo Sábado e resulta da parceria com o Museu S.Pedro.

Concerto do Coro de Câmara da Bairrada
Igreja Velha (Vila Nova) - Palhaça
20h30

Aprecio a capacidade inovadora e empreendedora que mais uma vez a Junta de Freguesia da Palhaça demonstra.

Li e Gostei...... O País cansado de Sócrates



por Pedro Correia | 24.03.10


“Meu Deus, que gente me mandas para ganhar esta guerra!” A frase ficou célebre na boca de Winston Churchill na fase mais dura da II Guerra Mundial, quando parecia que as hordas de Hitler iriam dominar toda a Europa. Tenho-me lembrado dela por estes dias, ao reflectir na crise de credibilidade que vai minando a autoridade política de José Sócrates. O essencial das suas tropas já desertou. Luís Campos e Cunha e Diogo Freitas do Amaral, os seus dois ministros iniciais das Finanças e dos Negócios Estrangeiros, não escondem hoje o afastamento relativamente ao chefe do Executivo. No Governo, passam-se meses sem que escutemos a voz de alguns ministros. Sócrates é hoje um general cansado, quase sem estado-maior e desprovido de infantaria. Gastou o essencial das suas munições em brigas inúteis, disparando contra jornalistas e comentadores, quando tinha à porta a mais grave crise dos últimos 80 anos. E rodeou-se de elementos pouco recomendáveis, socialistas sem peso orgânico no partido mas com alguma influência “fáctica” nos meandros que o País vai conhecendo pelas notícias publicadas em todos os jornais (sublinho todos, pois não são só alguns).

Sócrates deixou praticamente de reunir os órgãos do PS, confiando que bastaria a fé cega nos seus atributos para que os militantes o seguissem sem questionar a uma simples voz de comando. Mas isso já não é assim: há a sensação clara que nos encontramos no fim de um ciclo. Conscientes de que vivem pior do que há cinco anos, quando o actual primeiro-ministro chegou ao poder, os portugueses cansaram-se de Sócrates. Dos trejeitos de Sócrates, das entoações de Sócrates, das promessas de Sócrates – sempre desmentidas pelos factos. Cansaram-se dos tios e dos primos de Sócrates. Cansaram-se dos amigos de Sócrates, como Armando Vara e Rui Pedro Soares. E dos amigos dos amigos de Sócrates, como Paulo Penedos e Manuel Godinho.

Churchill queixava-se dos colaboradores incompetentes: apesar disso, ganhou a guerra. Sócrates só pode queixar-se de si próprio. E arrisca-se a passar à história como um derrotado – alguém que teve tudo para ganhar e acabou por deitar tudo a perder.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Li e Gostei...... (Nós por cá - Directas 2010 PSD)

Um artigo de Francisco Moita Flores, Presidente da Câmara de Santarém, sobre as Directas no PSD)

Espero que Passos Coelho ganhe as eleições. Não sou militante do PSD. Mas amo o meu país. E gosto da palavra Pátria. Sabe-me bem até ao tutano dos ossos. E da palavra escrita em Português. Somos o povo do desenrasca. Desorganizado. Capaz da genialidade do improviso. Incapaz de se organizar. Séculos de barafunda. Inventámos o mundo e esbanjámos sempre aquilo que o mundo nos entregou. Mas somos a Pátria do afecto, do abraço, da festa. E resmungões. Mais refilões do que revolucionários. Incapazes de consolidar elites criadoras. Fogem daqui a sete pés. Somos exportadores de inteligência. Se a inteligência pagasse IVA, o ministro das finanças não precisava de PEC.E adoramos o decadentismo.

Não sou militante do PSD, dizia. Mas nas sua listas, liderei o projecto Santarém. Na primeira eleição passámos dos oito mil votos, de média histórica, para doze mil votos. Coisa que só uma vez o Prof. Cavaco Silva conseguira numa das suas maiorias absolutas. Ganhámos. O mais impávido e sobranceiro bastião socialista ribatejano caiu feito em cacos.Agora, nas últimas autárquicas, chegámos aos 22 mil votos. Não volto a recandidatar-me a Santarém. O trabalho que estamos a fazer e o crédito a favor do PSD é de tal forma que só a palermice pode fazer com que não dure muitos anos.


Dito isto, está encontrada a razão para escrever sobre esta campanha interna, na qual não voto. Pois sendo assunto interno, não deixa de ser externo. Não deixa de ser de todos aqueles que acreditam que é possível um país mais feliz. Não digo social-democrata, exactamente como é o modelo social-democrata. Esta gente, a nossa gente, jamais vestirá uma roupeta social-democrata feita da mais nobre e alta-costura ideológica, parida da racionalidade para expurgada de emoções. Jamais! Que se desiludam os políticos que adoram fatos feitos com o rigor milimétrico da teoria política mais erudita. Nem vestirá a fatiota socialista. Nem a democrata cristã e muito menos as cartilhas marxistas, leninistas, maoistas e imbecilidades derivadas. Tirando o Eng.º Sócrates, o Dr. Portas, meia dúzia de advogados de negócios e de gestores públicos de gorda remuneração, a malta não gosta de alfaiates. Estão a definhar. Alinhamos com a maior alegria do mundo em tudo o que seja pronto-a-vestir, feira de Carcavelos e gostamos de novidades. Daí a nossa reconhecida paixão internacional por telemóveis. Quanto mais complicados, melhor. Adoramos improviso, acho que já disse. E adaptações.

Bom, chegados aqui, devo dizer que a fatiota que Paulo Rangel, e a sua equipa de músicos e actores contratados, só por piedade, pode merecer a credibilidade de militantes e do povão que habita no imaginário social-democrata. Porquê? Pela simples razão que é tudo aquilo que este povo resmungão, fadista, criador, herói do desenrasca, inteligente, pouco organizado não gosta. Fala muito bem com os dedos, argumentarão os seus acólitos. Mas isso não é falar! É esvoaçar. Que tem uma grande retórica. Tê-la-á. Que bom proveito lhe faça. Mas não tem alma! Existe mais alma num improviso curto de Cavaco Silva, o mais desastrado retórico desta República, do que na voz metálica, quase histérica, do demiurgo Rangel. Não sorri com afeição. Não ganha simpatizantes, apenas meros adeptos. Adeptos do quê? De uma putativa herança herdada do aparelhismo. Essa ideologia clandestina, oculta, grave e ruim, que fala, fala e esconde aquilo que lhe interessa. E apenas lhes interessa os seus interesses. Diz e desdiz. Já lhe ouvimos tudo aquilo que o povão adora ouvir, e já disse o seu contrário. Rangel diz. Não faz. Por uma simples razão. E é de carácter. Este povo, a nossa gente, é capaz dos piores disparates, dos maiores rasgos de genialidade, de entrar numa galeria pejada de quadros de Vieira da Silva e roubar um leitor de cassetes (e isto testemunhei enquanto polícia) mas é incapaz de trair um amigo. Aquilo que Rangel fez a Aguiar Branco é um defeito de carácter. Jamais se lhe descolará da pele. Não é política. Não é estratégia social-democrata. Não é nada. Quem trai o amigo que lhe estendeu a mão, trairá sempre. Quer o Conde Andeiro, quer o Vasconcelos de 1640, quer qualquer outro da mesma cepa, enganará por algum tempo. Mas não por muito tempo e vai pela pia ou será mais um produto da operação Limpar Portugal.

Dirá quem me ler, que este é um discurso cesarista. Que não importam as pessoas mas o projecto, blá, blá, blá. Uma ova! Não existe grandes projectos que não sejam servidos por homens grandes e bons e belos, sendo a base desta grandeza, desta bondade e desta beleza uma elevada exaltação do espírito. É impossível! Isto que acabo de escrever, disse-o Antero de Quental durante a Questão Coimbrã. Cento e cinquenta anos depois, ainda não aprendemos? Claro que aprendemos. Pode Rangel com o seu séquito de músicos itinerantes, e de que ele nunca ouviu falar, com os seus actores contratos, de que nunca ouviu falar, com a ajuda do célebre call center, de que ele nunca ouviu falar, com os tais fortes apoios do aparelho, de que ele nunca ouviu falar, pedir maiorias absolutas para convencer militantes mais ou menos atordoados com a crise em que se transformou o PSD e desejosos do surgimento de um qualquer D. Sebastião de entre o nevoeiro. Não chegará de certeza. E amanhã explicarei porquê. Até porque esta candidatura não é outra coisa a não ser o nevoeiro.

E agora assino:

Francisco Moita Flores

in: http://networkedblogs.com/1vG20?a=share&ref=nf

Oliveira do Bairro: Obras de requalificação do Tribunal adjudicadas em Abril

A requalificação das instalações do Tribunal de Oliveira do Bairro deveria ter arrancado há um ano. Mas só agora a autarquia teve o “ok” do IGFIEJ

De acordo com Mário João Oliveira, presidente da autarquia de Oliveira do Bairro, foi “há cerca de um ano” que foi aprovado, em sede de executivo, adjudicar as obras de requalificação do edifício que alberga não só o Tribunal, como a Repartição de Finanças, Conservatória do Registo Civil, Predial e Automóvel e Julgado de Paz. Isto por causa das condições deficientes em que tem funcionando ao longo dos últimos anos.
A verdade é que, apesar da decisão do executivo, a autarquia viu-se impossibilitada de avançar com a adjudicação das obras, porque era preciso rubricar o protocolo com o Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIEJ), já que o custo da obra será partilhado entre as partes (câmara e IGFIEJ).
Em declarações ao Diário de Aveiro, Mário João Oliveira referiu que “apenas no final desta semana que passou recebemos na autarquia o protocolo pronto a assinar, e a informação que a obra tinha sido cabimentada orçamentalmente”, lamentando que tivesse sido necessário esperar quase um ano “para podermos adjudicar finalmente os trabalhos que são bem necessários”.

in: Diário de Aveiro

quinta-feira, 11 de março de 2010

Quem pagará Politicamente por este atraso????


Câmara Municipal ganha processo da Alameda da Cidade


A Câmara Municipal de Oliveira do Bairro acaba de ser absolvida de uma acção, interposta pelo Ministério Público do Tribunal Administrativo de Viseu, que pretendia impugnar a deliberação da abertura de um segundo novo concurso público (o primeiro também foi alvo de um processo) para a execução da empreitada da requalificação da EN-235 – Nova Alameda da Cidade.
A juíza do Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro, Helena Canelas, rejeitou a pretensão do Ministério Público, alegando que “a acção foi extemporaneamente instaurada, já que, quando foi instaurada, já havia decorrido o prazo de um mês para ser impugnado o acto”. “Ora a finalidade que o Ministério Público pretende alcançar com a presente acção extravasa a finalidade para a qual foi criado o Processo de Contencioso Pré-Contratual, já que não pretende aqui acautelar a legalidade do procedimento pré-contratual, em si, apenas pondo em causa a oportunidade da sua abertura”, acrescenta a magistrada.
A construção da Alameda de Oliveira do Bairro, que vai ligar os Bombeiros à Escola Secundária – empreitada superior a 5 milhões de euros – está prevista desde que Mário João Oliveira assumiu a presidência da Câmara de Oliveira do Bairro. No entanto, tem sido sucessivamente travada devido a providências cautelares, interpostas pelo Ministério Público, por solicitação de um antigo deputado do CDS/PP.
Ao longo destes anos, a Câmara Municipal de Oliveira do Bairro já foi absolvida em pelo menos cinco acções, estando ainda pendente uma acção especial que pretende que seja declarada a nulidade da deliberação da revogação do acto de classificação da antiga Casa da Câmara e Cadeia, bem como a nulidade da deliberação que determinou a demolição, com a consequente obrigação da Câmara reconstruir a cadeia.
Mário João Oliveira, presidente da autarquia, perante mais esta absolvição, afirma que “foi dado mais um passo significativo em ordem de dar início à obra, que há tanto tempo é ambicionada pela população”.O autarca garante ainda que “a obra arrancará em breve”.
Pedro Fontes da Costa pedro@jb.pt

sexta-feira, 5 de março de 2010

Intervenção na Assembleia Municipal de 26/02/2010

Tal como tem vindo a ser hábito disponibilizo aqui a minha intervenção na última Assembleia relativamente ao ponto 5.4- Projecto de Regulamento Municipal de Uso do Fogo (Fogo Técnico, Queimadas, Queimas, Fogueiras e Fogo-de-artifício);

A este texto foram acrescentadas algumas nuances próprias da discussão política do momento e que foram registadas pelo Bairradadigital.pt e que em breve poderão ser ouvidas.




As causas dos incêndios florestais são das mais variadas. Têm, na sua grande maioria, origem humana, quer por negligência e acidente (queimadas, queima de lixos, lançamento de foguetes, cigarros mal apagados, linhas eléctricas), quer intencionalmente. Os incêndios de causas naturais correspondem a uma pequena percentagem do número total de ocorrências.
Com a entrada em vigor do Decreto-Lei nº 264/2002, de 15 de Novembro, foram transferidas para as Câmaras Municipais competências dos Governos Civis em matéria consultiva, informativa e de licenciamento.
O Decreto-Lei nº 310/2002, de 18 de Dezembro, veio estabelecer o regime jurídico da actividade de realização de fogueiras e queimadas, quanto às competências para o seu licenciamento. Porém, de acordo com o estabelecido pelo novo quadro legal, Decreto-Lei nº 124/2006, de 28 de Junho, que estabelece as medidas e acções a desenvolver no âmbito do Sistema Nacional de Prevenção e Protecção Florestal Contra Incêndios, e porque foram criados condicionalismos ao uso do fogo, de acordo com os artºs 26º a 30º do referido Decreto-Lei, torna-se pertinente a elaboração deste documento que visa regulamentar a realização de queimadas, queima de sobrantes resultantes de actividades agro-florestais, fogueiras, lançamento de foguetes e uso de fogo controlado.
Este Regulamento tem como objectivo o resumo de legislação referente ao tema num só documento.
Este regulamento foi também sujeito a divulgação e discussão pública e não houve registo de qualquer alteração ou sugestão.
Entendo que este Regulamento será de fácil compreensão pela população, visto que as definições são claras e a adequação do Regulamento às necessidades práticas das pessoas estão consagradas.

Sr. Presidente
Sras e Srs Deputados

Permitam-me que nesta minha intervenção, partilhe convosco aquilo que considero um Contributo para as Acções que se seguirão à validação legal deste documento.

Apesar de considerar este documento claro chamo à atenção para a melhor divulgação do mesmo.
Falo nisto porque competirá à Câmara Municipal através do seu Gabinete Técnico Florestal e Serviço Municipal de Protecção Civil, continuar, à semelhança do que tem havido sido feito em anos anteriores da divulgação destas normas nas freguesias, ou seja, saindo deste edifício e indo ao encontro dos nossos Munícipes que nem sempre estão atentos a estas situações.
Considero ainda de extrema importância que naquele que é chamado o período crítico se continue a apostar em campanhas de informação e sensibilização, através do projecto “ Voluntariado Jovem para as Florestas” que pretende incentivar a participação de mais jovens no grande desafio que é a preservação da natureza e da floresta em particular, reduzindo simultaneamente, o flagelo dos incêndios através de acções de sensibilização das populações em Geral. Na minha óptica julgo que a Câmara Municipal, poderá fazer ainda mais no âmbito deste projecto, associando-se não só ao IPJ mas a um conjunto de Associações e Instituições do Concelho de forma a criar uma rede de vigilância.
Como sabemos, dia 20 de Março, vai acontecer a operação “Limpar Portugal”, a Câmara Municipal e Juntas de Freguesia, podem e devem acarinhar e apoiar este género de projectos, aliás já é público que o fizeram, no entanto e não subestimando obviamente as capacidades do mesmo acredito que depois de este acontecer vai haver necessidade de identificar novamente esses locais de depósito de lixo, fazendo uma monitorização dos mesmos pois sabemos perfeitamente que em muitas situações provocam danos irreparáveis para a natureza.

Por fim e agora sim de certa forma, mais enquadrado com o assunto que hoje temos aqui em discussão, falo-vos nas coimas que poderão ser aplicadas.
Obviamente que os agentes de fiscalização são diversos, mas a decisão final caberá à Câmara Municipal e muito mais importante que uma hipotética receita possa daí advir, na minha óptica deverá continuar a desenvolver um trabalho pedagógico e igualmente exigente para quem não cumpre as normas que estão hoje aqui em discussão.
Uma palavra final ao executivo e permita-me Sr. Presidente que o faça na pessoa do Sr. Vereador Carlos Ferreira.
Continue assim, com esse espírito empreendedor e Inovador que tem vindo a ser hábito nos Governos autárquicos Sociais Democratas em Oliveira do Bairro
Já passamos demasiado tempo até 2005 estagnados e Oliveira do Bairro merece e precisa que Vª Exa e os demais vereadores da equipa governativa, coloquem ao seu serviço essas vossas qualidades.
Continuem.

Disse,

terça-feira, 2 de março de 2010

Mouva na Palhaça | o Mercado que mudou os domingos,está de regresso em 2010 à Palhaça

Com créditos já firmados durante as edições anteriores, não poderia deixar de responder à solicitação que me foi feita para a divulgação de mais um ano de MOUVA, desta feita com novas valências.
MOUVA, ESSE MERCADO-CONVÍVIO QUE CONVENCEU A PRAÇA DO SEU ESPAÇO

Segunda temporada no primeiro domingo de cada mês, de Março a Julho. Primeira edição de 2010 inclui expositores multicolores, ginástica, uma oficina de Ciência, sessão de Risoterapia, cuidados de saúde, a «presença» de Fernando Pessoa no mês da Poesia, rastreios de saúde e música de várias geografias.

Lembra-se do MOUVA? O «mercado-convívio» que, durante 6 edições mensais de 2009, assentou arraiais na Praça de São Pedro, na Palhaça, procurando promover, de um modo descontraído, o mercado sustentável, a acção cívica, o lazer e a cultura?
É já no próximo dia 7 de Março (domingo) que esta iniciativa regressa ao centro da Palhaça, pela mão de uma equipa de organização alargada, com novas ideias e uma maior diversidade de actividades para oferecer. Para vários públicos, da criança ao sénior, passando pelo jovem e o adulto, pelos palhacenses e pelos não palhacenses.
Este ano há várias novidades a registar: o evento passa a realizar-se no primeiro domingo de cada mês, de Março a Julho (à excepção de Abril, devido à Páscoa, em que decorre no segundo domingo), entre as 9h e as 17h. Há actividades fixas, garantidas para todas as edições: um momento de ginástica matinal, a hora do conto infantil antes do almoço, e uma oficina de formação informal (sobre diferentes temáticas - da ecologia às artes, passando pela ciência e pela saúde). Assegurado está ainda um novo espaço chamado «Café e Companhia» - uma esplanada, em plena praça, com café, sumos naturais, sandes e petiscos.
Passou pelo MOUVA o ano passado e tem vontade de participar? É fácil. Tem, por casa, no baú, velharias, quinquilharia, livros, malas, peças de colecção, roupa, música e filmes que acha que poderiam ser reutilizados ou mais valorizados por outras pessoas? Tem produtos agrícolas frescos, pão caseiro, hortaliça, sumos naturais e fruta para vender aos visitantes? É artesão e quer divulgar o seu trabalho e escoar as suas peças? Gosta de ser surpreendido, aprecia cultura, bem estar e interacção? Ou gosta simplesmente de conversar, passear ou de ler o jornal ao ar livre? Então, este evento - de participação gratuita - pode muito bem ser para si, na pele de visitante ou de vendedor.
O desafio de criar com o MOUVA um movimento de novas sensações, de troca de ideias, e de experimentação de talentos artísticos e de formação cívica será também permanente. Serão incentivados actos espontâneos dentro do espírito do evento ou a actividades combinadas. Homens-estátua, malabaristas, performers, artesãos urbanos e rústicos, músicos de rua, pintores, criativos das áreas de multimedia e design, e agricultores biológicos, e quejandos, são bem-vindos neste evento.
No mês em que é assinalado o dia da Poesia, convidamos Fernando Pessoa para um café com poesia. Catarina Teixeira, a mendiga que em 2009 recitou poesia na primeira edição do Mercado volta à Praça e traz Fernando Pessoa, vida e e obra. Sentado, como na Brasileira, vai falar da sua vida repleta de heterónimos e palavras. Para quem gosta de mover o corpo, sugere-se uma sessão de 20 minutos de ginástica, de fato-de-treino, logo pela manhã.
De resto, veja abaixo o roteiro desta edição e faça você mesmo o seu percurso MOUVA. Além do trajecto dos expositores de venda, o MOUVA oferece oficinas do riso («Deixa-Me Rir») e de ciência («ExperimentaCiência»), bem como poesia libertada dos livros para locais insuspeitos da Praça («A Poesia Que Fugiu dos Livros»), ou espaços para se instalar a conviver, a jogar cartas ou a ler o jornal do dia. E haverá sempre música no ar, trazida por ventos de todos os continentes.


Agenda MOUVA MARÇO [9h -17h]:
(todas as participações são gratuitas e acontecem na Praça de S. Pedro)


09h30 Cuidados de Saúde: Rastreios à tensão arterial e glicémia
10h30 - 11h Deitar Cedo e Cedo Erguer, Vamos Por Todos A MOUVER”
(20m de Ginástica)
11h30 - 15h «Quem Tem Medo do Fernando Pessoa?» (Poesia e Performance permanente)
12h12 «Toca O Sino às 12h12» (Hora do Conto Infantil)
15h30 «Deixa-Me Rir» (Sessão de Risoterapia)

Actividades a decorrerem ao longo do dia:
«A Poesia Que Fugiu dos Livros» (Poesia na rua)
«ExperimentaCiência»
Momento musical


+ Informações e solicitação de fichas de inscrição (até dia 4 de Março) Catarina Pereira 918153609
http://mouvapalhaca.blogspot.com/
http://palhacacivica.blogspot.com/
http://www.facebook.com/people/Palhaca-Civica/100000554028315
palhacacivica@gmail.com
Junta de Freguesia da Palhaça, terça a partir das 20h00 ou sáb. manhã





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Assembleia Municipal - 26/02/2010

Local: Edifício dos Paços do Concelho
Hora: 19h30

A ordem de trabalhos pode ser consultada aqui
Conto com a sua presença

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Li e Gostei......

Como vai ser, Portugal?
Vasco Campilho

Esta é a história da família Gomes. Classe média, apartamento suburbano, dois filhos. Durante uns anos, uns bons anos, por via da progressão profissional do pai e da mãe, essa família aumentou o seu rendimento, e concomitantemente o seu nível de vida. Mas a certa altura, os Gomes pararam de progredir economicamente – uma promoção que não veio para o pai, um aumento adiado para a mãe. O seu nível de vida, porém, continuou a aumentar. Primeiro ao mesmo ritmo, depois mais lentamente, mas mesmo assim a aumentar. Milagres dos juros baixos e do crédito ao consumo.

A dada altura, porém, sobrevém uma crise económica. A mãe vai para o desemprego, e apenas volta a conseguir empregos precários e mal pagos. As prestações da dívida aumentam. O sufoco é iminente. O que fazer, interrogam-se os Gomes? Certa noite, reúnem-se em torno da mesa e consideram as opções disponíveis. O pai diz que pode falar com o banco para reestruturar a dívida: junta-se o carro à casa, inclui-se o cartão de crédito também, e embora o custo global da dívida aumente sempre se consegue baixar o encargo mensal das prestações. Mas contas feitas, não chega para reequilibrar a situação.

A mãe propõe então que se corte nos gastos. Fazer compras do mês em vez de ir comprando é mais económico. Roupas? Só nos saldos. Férias? Este ano não. Mas isso chega? Não chega. É preciso ir mais fundo. Se calhar o segundo carro é para vender. É certo que já não vale nada, mas a despesa que implica é incomportável. Se calhar o aparelho dentário da miúda fica para o ano. Podes viver mais um anito com os dentes tortos não podes, meu amor? As mesadas vão ser congeladas. Ou mesmo reduzidas. A mãe detesta sacrificar assim os seus filhos, mas tem de o fazer justamente para não ser obrigada a tocar em certas coisas que considera essenciais. A ajuda que dá todos os meses à avó para medicamentos. O seguro de saúde para toda a família. As despesas da escola dos filhos. A comida na mesa.

A situação, porém, mantém-se periclitante. O filho mais velho, até essa noite um pouco despreocupado, faz um ar grave e anuncia: vou ver se me emprego num fast-food das redondezas. Só umas horitas. Não atrapalha a escola, e é da forma que não têm que me dar mesada. O pai não gosta da ideia, preferiria que o filho se concentrasse nos estudos, mas a mãe convence-o: se o rapaz quer ajudar, deixa-o ajudar. Antes isso que meter-se em sarilhos. Inspirada pelo exemplo do irmão, a filha mais nova – que não tem idade para trabalhar – propõe aplicar umas ideias que tem aprendido na escola para poupar energia e preservar o ambiente. É da forma que também se poupa um dinheirinho.

Os Gomes podem agora respirar fundo. Vêm aí tempos difíceis, mas sabem o que fazer para os enfrentar e ultrapassar. Sabem que vão ter de renunciar a muito, mas conseguiram salvaguardar o essencial, sem pôr em causa o futuro. E agora que encararam de frente os problemas que tinham, em conjunto, sentem que aquele mau ambiente que se vivia em casa se dissipou: uma nova confiança, uma nova cumplicidade reina na família Gomes.

Portugal encontra-se numa situação muito semelhante à da família Gomes. Infelizmente, ainda não nos sentámos à mesa para considerar friamente as opções disponíveis. E a cada dia que passa, as opções que restam são mais duras, mais difíceis de aplicar. E o mais provável é que, tal como os Gomes, não possamos escolher as que mais nos agradam. Teremos mesmo de as aplicar todas: reestruturar a dívida externa, reduzir o consumo interno, trabalhar e exportar mais. Mas há duas formas de o fazer: sentando-nos à mesa e planeando em conjunto a forma como vamos sair da crise, como fizeram os Gomes, ou barafustando sem nos entendermos até que os nossos credores nos obriguem a tomar medidas. Caso em que não nos será permitido sequer tentar salvaguardar o essencial. Como é que vai ser, Portugal?
in: http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=509&idi=3114