terça-feira, 18 de maio de 2010

Acção de Sensibilização: Defesa da Floresta contra Incêndios



A Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, à semelhança de anos anteriores irá promover acções de sensibilização junto das freguesias, relativamente aos procedimentos de defesa da floresta contra os incêndios.
As iniciativas terão lugar nos próximos dias:

25 DE MAIO . 21h . Junta de Freguesia de Oliveira do Bairro
26 DE MAIO . 21h . Junta de Freguesia de Bustos
27 DE MAIO . 21h . Junta de Freguesia da Palhaça
28 DE MAIO . 21h . Junta de Freguesia de Oiã

OS TEMAS ABORDADOS SERÃO OS SEGUINTES:
A não gestão de combustíveis numa faixa de 50m em redor da edificação;
A não gestão de copas das árvores a uma distância inferior a 5 m da edificação;
A realização de queimas de sobrantes das actividades agrícolas ou florestais;
A realização de queimadas;
A realização de fogueiras para confecção de alimentos ou lazer;
A circulação de tractores, máquinas e veículos de transporte pesados que não possuam extintores, sistema de retenção de faúlhas ou faíscas e tapa chamas nos tubos de escape ou chaminés;
Não fumar dentro dos espaços florestais.

PARTICIPE! NÃO FALTE.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Políticos de Palmo e Meio - Bom exemplo em Oliveira de Azemeis

Os 22 alunos do 4º ano de escolaridade de cinco escolas de Oliveira de Azeméis que participaram esta manhã na assembleia municipal «Políticos de Palmo e Meio» vão visitar a Assembleia da República na companhia de Hermínio Loureiro, presidente da autarquia.
Mais info aqui.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Novos Regulamentos do Municipio de OBR em discussão

Regulamento n.º 421/2010
Município de Oliveira do Bairro
Publicação do Projecto de Regulamento da Toponímia e Números de Polícia

Regulamento n.º 422/2010
Município de Oliveira do Bairro
Publicação do Projecto de Alteração ao Regulamento para o Exercício de Diversas Actividades Sujeitas a Licenciamento Municipal

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Li e Gostei...... O plano B de Sócrates


Devo começar por dizer que estou agradavelmente surpreendido com a acção governativa de Passos Coelho. Faz hoje, 5 de Maio de 2010, precisamente uma semana que Passos Coelho é o primeiro-ministro de Portugal, e já se vê obra feita. A antecipação de medidas do PEC e ter posto o ministro das Finanças a reavaliar as grandes obras públicas teve logo o efeito de animar os “mercados”. A Bolsa de Lisboa recuperou para terreno positivo. Depois do índice PSICO-20, a praça lisboeta voltou ao habitual PSI-20. Tudo isto teve origem na já célebre reunião de S. Bento à qual Passos Coelho chegou de urgência, numa ambulância do INEM, com um desfibrilhador nas mãos. Muitos comentadores chamaram a essa reunião entre o Cavaco do PS e o Sócrates do PSD um pré-bloco central. Nada disso! O que aconteceu foi algo de surpreendente e inédito na política mundial: o primeiro-ministro de um governo sombra passa a governar o país, passando o primeiro-ministro em exercício para a sombra. A pose de Estado com que Passos Coelho, através de todas as televisões, se dirigiu aos sindicatos a apelar à paz social só pode ser conseguida por alguém que sabe que já manda nisto. A prova é que o PCP passou a ter como alvo principal, não Sócrates, mas sim o PSD, defendendo o TGV. Não sei se este era o tal plano B que Passos Coelho tinha, mas o que ficou evidente é que Sócrates também tinha um plano para o país, segundo as agências de rating, um plano B–. Depois do “Porreiro, pá!” e do “Manso é a tua tia, pá!”, chegou o terceiro pá de Sócrates: “Já fui, pá!”

por José de Pina, Publicado em 05 de Maio de 2010
in: http://www.ionline.pt/conteudo/58402-o-plano-b-socrates

ANTIGOS ALUNOS DO COLÉGIO (IPSB), REÚNEM-SE NO FACEBOOK



Desde o final da semana passada tenho assistido e participado num grupo criado por Carlos Maia através do facebook de seu nome Antigos Alunos do IPSB.
Com pouco tempo de vida já tem (neste momento) quase 500 aderentes e nele podem todos sem excepção partilhar as suas experiências passadas neste estabelecimento de ensino.
Este grupo, já mereceu honras de divulgação através de um artigo publicado pelo Prof. Telmo Domingues no site oficial do IPSB ver aqui

Eu particularmente tive a oportunidade de rever velhos amigos, de ficar a saber que está previsto um encontro no próximo dia 16 Maio a partir das 13h no HardBar com comes e bebes (informação não Oficial).
Achei brilhante esta forma que o Carlos Maia encontrou para reunir todos aqueles que fazem parte da família do Colégio. Este projecto tem tudo para evoluir.
Mas não se pense que apenas se encontram aqui antigos alunos, também aqueles que foram nossos professores também por lá andam e sempre disponíveis para dois dedos de conversa, nem que não seja através do Chat.
Se é antigo aluno do IPSB faça uma visita e apareça por lá, inscreva-se.
Grupo de Antigos Alunos do IPSB

sexta-feira, 23 de abril de 2010

25 de Abril - Olhares


Neste que vai ser o último post antes das comemorações do 36º aniversário do 25 de Abril de 1974, pedi a 2 amigos meus para partilharem comigo a sua visão sobre o 25 Abril.
Tratam-se de 2 apontamentos de pessoas com idades diferentes dos concelhos de Anadia e Águeda que tem perspectivas de análise deste assunto diferentes, posso até dizer, com toda a certeza, que o seu posicionamento político não é o mesmo, mas no fim as conclusões são as mesmas.
A mim e perante estas partilhas, resta-me dar o meu modesto contributo, criando aqui um espaço onde os olhares de 3 pessoas de concelhos diferentes nas casas dos 50, 40 e 30 anos se dignaram de apresentar os seus olhares sobre o 25 de Abril.






José Manuel Ferreira Nunes Ribeiro
Residente no Município de Anadia
Nascido a 18 de Abril de 1969



O dia 25 de Abril de 1974 trata-se de uma data maior da nossa História, que assinala uma conquista fundamental para a nossa vida colectiva.
Neste sentido, comemorar a Revolução dos Cravos deve ser, na minha óptica, uma oportunidade para reflectir serenamente sobre as nossas instituições democráticas e sobre o nosso país, perspectivando o futuro e reforçando as expectativas em relação àquilo que queremos para nós, para a nossa terra, para a nossa região, para Portugal.
Já o disse várias vezes, mas a cada dia que passa, mais me convenço que Portugal tem um grave problema de qualidade de democracia. Mais do que nunca, é necessário aproximar governantes e governados, descentralizar, revigorar o poder local, dar confiança às instituições, e devolver prestígio à política e aos políticos.
Não podemos ignorar os graves problemas com que o nosso país se defronta. A justiça não funciona, o sistema de saúde degrada-se, a pobreza, o desemprego e a exclusão social crescem, e existem situações de vida dolorosas para um número crescente de Portugueses.
A Revolução semeou grandes esperanças, mas a verdade é que, actualmente, os portugueses estão decepcionados e sentem muitas frustrações.
O 25 de Abril valeu a pena, mas muitos dos ideais e princípios da Revolução ainda estão por cumprir.



Sérgio Manuel Ferreira da Cruz
Residente no Município de Águeda
Nascido a 24 de Maio 1955



No dia 25 de Abril de 1974, com 19 anos, estava a estudar no Porto. Nesse dia só fui à aula das dez, não sei se por horário se por gazeta. Quando cheguei ao Instituto, na Rua de Entreparedes, havia qualquer coisa de diferente no burburinho: Há um golpe de Estado, as rádios só dão música clássica e parece que já houve um comunicado. Os jornais da manhã não traziam nada sobre o assunto.
Há aulas, não há aulas, o professor vem, não vem. Bem, não sei se houve algumas aulas, eu e alguns fomos para a rua tentar perceber alguma coisa do que se passava.
Com cuidado, tentando ser discretos, a falar baixo, quase tateando o empedrado, dava-se atenção a todos os movimentos. Aparentemente estava tudo normal mas percebia-se que andavam todos ao mesmo. Pequenos grupos, os mesmos cuidados e desconfianças. Os que passavam tentavam perceber as conversas, discretamente primeiro mas, depois, lá se iam chegando, atrevendo-se mesmo a algumas perguntas. Era tudo muito incerto. E lá chegou o meio-dia e foi-se almoçar.
À tarde a polícia começou a desaparecer, mais gente nas ruas, lentamente primeiro mas, depois, com a saída dos empregos, as ruas ficaram cheias. Parecia que ninguém queria regressar a casa, os temores da manhã estavam a desaparecer.
Ao anoitecer sai uma edição especial do Jornal de Notícias. A informação era pouca: a capa e as duas primeiras páginas. Lá vinha o primeiro e o segundo comunicados do Movimento das Forças Armadas – este nome havia de perdurar vários anos e gerar tantos ódios e paixões.
Pouco mais trazia, o resto era a edição da manhã. Penso que nem sequer uma foto relativa aos acontecimentos. Mas o simples facto de ter saído uma edição especial de um jornal, só para “confirmar” que havia um golpe de estado em marcha, era qualquer coisa de inusitado, estranho.
Eu nunca tinha visto uma edição especial de um jornal (e não me lembro de ter voltado a ver)!
E as pessoas sentiram-no, ganharam confiança, perderam os temores. Os passos e as palavras ganharam firmeza. Era cada vez mais e mais gente nas ruas, de um lado para o outro. Queriam “assistir”!
A polícia desapareceu, não sem antes alguns serem atacados e despojados de alguns “adereços”, que se viam aqui e ali, agitados como troféus – casacos, cacetetes, bonés. Dizia-se que também algumas armas. Mas isso eu não vi.
O temor, como que por magia, transformara-se em alegria. E euforia. Não me lembro de ter jantado, como a maioria. A fome era coisa secundária, esquecida, outras “necessidades” tinham-na ofuscado.
Pela meia-noite chegaram os primeiros soldados aos Aliados, vinham de Lamego. E aí veio o júbilo.
Lá pelas três da manhã – coisa rara, ao tempo – abandonámos a “festa” e regressámos a casa.
Pelo caminho, apesar daquele aperto no peito e do maxilar que teimava em tremer, talvez pelo frio da noite, sentíamo-nos mais fortes, confiantes. Mas era uma sensação estranha, como se não coubéssemos no nosso corpo! Tantas incertezas!
Mas já havia uma certeza: o “nosso mundo” nunca mais seria o mesmo.
E não foi fácil adormecer, naquela noite, os ruídos na rua eram diferentes!







Luís Sérgio da Silva Pelicano
Residente no Município de Oliveira do Bairro
Nascido a 20 de Junho de 1975


Para mim o 25 Abril, são imagens, são filmes, são comemorações.
Nasci em 75 e daí não conhecer na pele outro regime senão a Democracia.
Do anterior, só conheço os relatos de opressão, de pobreza, repressão e MEDO.
Nasci no Verão quente de 1975, altura do PREC.
São tudo relatos e histórias que vou conhecendo sobre o 25 de Abril.
Hoje vejo, que muita gente se queixa como estamos, como vivemos, como somos educados.
Não quero de forma alguma que pensem que me resignei a esta situação de estagnação, mas daí a ouvir como às vezes ouço “O Salazar faz cá tanta falta”. Isso não.
Uma das memórias que me foi contada pelo meu pai e que para mim espelha as dificuldades desses tempos, vou hoje partilha-la convosco.
O meu pai com os seus 6/7 anos, foi a casa de um Srs. ricos com o meu Bisavô. Viviam-se momentos difíceis e nessa casa comiam-se nesse momento uns bolos.
O meu Pai olhava para eles com um ar guloso de quem se calhar, digo eu, nunca havia comido tal coisa. A Dona de casa ao se aperceber deste cenário perguntou-lhe:
“Queres bolinhos Luizinho? Ao que ele prontamente sem hesitar respondeu, “Não Sra.” abanando a cabeça de braço estendido e mão aberta.
Ele querer queria, mas a educação era para não pedir nada.
Hoje os meus filhos, por vezes, nem dizem bom dia ou boa tarde aos avós, as primeiras palavras são “Quero uma bolacha?”
Antes do 25 Abril também era assim, muita gente queria de mão estendida mas abanado a cabeça a liberdade, hoje a liberdade não é saboreada é simplesmente liberdade.
Compreendo quando se diz que a qualidade da democracia é insatisfatória.
Mas não será que tudo isto acontece porque os Políticos, as Instituições, os Organismos e todos nós, nos esquecemos de saborear a Liberdade?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA: visão de Pedro Pezarat Correia


Na publicação Portugal 20 anos de democracia , do Círculo de Leitores, e sob a coordenação de António Reis, Pedro Pezarat Correia (Oficial general do Exército na situação de reserva) apresenta um artigo de referência sobre a descolonização (sobretudo em África). Esse artigo faz-se acompanhar por uma importante cronologia que divulgaremos posteriormente.
Do artigo em questão consideramos em post a sua introdução e conclusão.
A síntese sobre o seu conteúdo é a seguinte:

"O processo de descolonização das colónias portuguesas desenvolveu-se ao longo de cinco fases sequênciais e interdependentes: tomada de consciência; luta de libertação; transferência do Poder; independência; consolidação da identidade nacional. Portugal enquanto potência colonial, só participou como parte da descolonização na fase de transferência do Poder. Nas duas anteriores, contrariou-as, nas duas últimas assume-se como cooperante. O quadro geral da actuação portuguesa na fase da transferência do Poder: condicionamentos; objectivos; estratégia. A violência como factor determinante em todas as fases: repressão, na tomada de consciência; guerra colonial, na da luta de libertação; guerras civis e intervenções estrangeiras, nas da transferência do Poder e independência. Obstáculos à consolidação da identidade nacional. O caso especial das colónias do Extremo Oriente, que não passaram por este faseamento".(p. 40. Sublinhado nosso).

Referência bibliográfica:

CORREIA, Pedro Pezarat- "A descolonização". In: REIS, António (coord.)- Portugal 20 anos de democracia. Lisboa: Círculo de Leitores, 1994, p. 40-73.

O CICLO DESCOLONIZADOR

Portugal acordou tarde para o fenómeno da descolonização. E acordou sobressaltado.
A ditadura salazarista então vigente, impondo aos Portugueses o silêncio e o alheamento sobre o que se passava no mundo e fosse desfavorável á lógica do regime, impediu-os de se aperceberem e prepararem para uma etapa que, inelutavelmente, teriam de percorrer.
Foi só com o início da guerra em Angola, em 1961, que os Portugueses, na sua generalidade, despertaram para o problema, mas sem que logo tivessem alcançado a sua verdadeira dimensão política. Sete anos antes, o problema dos satyagrahas em Goa, Damião e Diu e a anexação pela República da Índia dos enclaves de Dadrá e Nagar Aveli, envolvidos numa encenação emocional conduzida pela propaganda do regime, não chegaram para alertar os Portugueses para o que estava então já em marcha: o processo de descolonização.
A descolonização do império português é o capítulo derradeiro e tardio- e disto sofreria as consequências- do fenómeno global de dissolução dos impérios coloniais europeus, que se seguiu à II Guerra Mundial de 1939-1945 e que configura o ciclo descolonizador do século XX.
Os seus antecedentes situam-se nos anos 20, quando estudantes das colónias fundam em Lisboa a Liga Africana e, na tentativa de organizarem a luta anticolonial, entram em contacto com o movimento pan-africanista que W. du Bois fundara nas Caraibas. Mas só depois de 1945, com o sopro de liberdade que a vitória aliada fez chegar a todo o mundo, a luta pela libertação colonial se impôs com toda a dinâmica. Em 26 de Junho de 1945 fora aprovada a Carta das Nações Unidas (ONU), cujo artigo 73º obrigava as potências coloniais a desenvolver nas colónias "sistemas de autogoverno de acordo com as aspirações políticas das populações. Em Outubro seguinte reunia em Manchester, Grã-Bretanha, o V Congresso Pan-Africano, que lançou um apelo e difundiu directivas a todos os povos de África para a luta pela independência. Em Abril de 1955, em Bandung, forma-se o Movimento dos Não Alinhados, que iria ter papel de relevo na coordenação das lutas de libertação. França, Grã-Bretanha, Espanha, Bélgica, com mais ou menos contradições, e de forma nem sempre pacífica, vão reconhecendo o direito à independência das suas colónias e novos países soberanos vão reforçar o Movimento dos Não Alinhados. Em 1963 é criada, em Adis Abeba, a Organização da Unidade Africana (OUA). (...)
Uma análise sistemática demonstra que os processos de descolonização se encadeiam em cinco fases sequenciais, cada uma com as suas especificidades, conforme o território, o povo colonizado e a opção da metrópole colonial.
A primeira é a fase da tomada de consciência. Por norma, é uma elite politizada que assume a iniciativa e se organiza, visando o direito à independência, ideia que depois procura alargar à generalidade do seu povo.
Depois é a fase da luta de libertação. Exclusivamente política ou também armada, conforme o tipo de resposta da potência colonial às reivindicações independentistas.
Segue-se a fase da transferência do Poder. Se a fase anterior atingiu o grau de luta armada, esta comportará negociações de cessar-fogo, o que constitui uma derrota política, ainda que não militar, para a potência colonial.
A seguir é a fase da independência, correspondente à substituição do aparelho colonial pelas estruturas do novo Estado, por vezes marcada por uma luta interna pelo Poder.
Finalmente, a fase da consolidação da identidade nacional. Frequentemente, o novo Estado não corresponde a uma nação e, quando o seu nascimento envolve lutas internas pelo Poder, é difícil a emergência de factores de coesão. (...)
Só que nenhuma das fases é um compartimento estanque, indiferente à forma como se processou a anterior. Pelo contrário, é profundamente condicionada por ela e vai influenciar decisivamente a que se segue. A natureza assumida por cada uma das fases tem uma lógica que radica na anterior. (...)


CONCLUSÃO

O ciclo descolonizador

Tendo como pano de fundo a recusa do regime colonial ao direito à independência, que retardou duas a três décadas a fase de transferência do Poder e gerou o factor "violência", a descolonização das colónias portuguesas processou-se num quadro definido pelos seguintes condicionamentos:

- Fase da tomada de consciência sujeita a repressão policial, conduzida num clima de clandestinidade,

- Radicalização da fase da luta de libertação, que evoluiu para o patamar da luta armada sob a forma de guerra colonial, em très frentes, durante 13 anos;

- Isolamento de Portugal;

- Frágil posição negocial de Portugal na fase de transferência do Poder, consequência de uma rotura política revolucionária e da instabilidade que se seguiu;

- Crise económica resultante do esforço de guerra e do choque petrolífero de 1973;

- Alheamento das forças políticas e da população portuguesa em geral para com a descolonização;

- Aparelho militar debilitado pelos anos de guerra, que as contradições no seio do MFA acentuaram;

- Envolvimento de países africanos vizinhos, com intenções desestabilizadoras e expansionistas, e das suoerpotências, com o objectivo de reforçarem posições geopolíticas.

Fase da tomada de consciência

Apesar de condições tão desfavoráveis como as que este quadro denuncia, Portugal teve, após o 25 de Abril, uma política de descolonização, que acusou a ausência de um planeamento prévio, que o regime colonial inviabilizou. Mas desenvolveu uma estratégia para a tranasferência do Poder, casuística, mas coerente e fiel a princípios fundamentais, que constituiram os grandes objectivos:

- Respeito pelas resoluções da ONU exigindo o reconhecimento do direito à autodeterminação e independência;

- Recusa do puro abandono ou de modelos neocoloniais;

- Preocupação com a defesa dos interesses nacionais.

Fase de luta de libertação

Essa estratégia materializou-se pelo progressivo cumprimento das seguintes tarefas:

- Definição do enquadramento legal e constitucional;

- Negociações de cessar-fogo nas colónias em guerra;

- Legitimação dos interlocutores para as negociações;

- Negociações das transferências do Poder e das modalidades dos períodos de transição;

- Preparação de relações frutuosas de cooperação para o futuro pós-independências.

Fase da transferência do Poder

Esta a estratégia global. Com base nela definiram-se estratégias particulares, de acordo com as especificidades de cada uma das colónias. Ainda que se verificassem pontos comuns, não havia dois territórios em que coincidissem todas as condicionantes, o que permite afirmar que cada colónia era um caso distinto: na Guiné, em Moçambique e em Angola foi necessário negociar o cassar-fogo, em Angola e Timor teve de se contar com vários interlocutores, que viriam a envolver-se em guerras civis; Guiné e Cabo Verde tiveram um negociador comum; Guiné e Moçambique, com um só interlocutor legitimado por via revolucionária, justificaram a directa transferência do Poder; Moçambique e Angola enfrentaram manobras golpistas de minorias brancas; São Tomé, Cabo Verde, Angola e Timor subscreveram o sufrágio eleitoral para uma assembleia constituinte precedendo a independência; Angola e Timor sofreram intervenções estrangeiras armadas.

Fase da independência

Apesar dos condicionalismos, Portugal respeitou os princípios fundamentais e, atento àquelas especificidades, executou as estratégias definidas. Os únicos casos em que os programas foram violentamente interrompidos, impedindo o cumprimento dos seus objectivos, foram aqueles onde se verificaram intervenções estrangeiras armadas- Angola e Timor. A intervenção estrangeira em Moçambique, com os dramáticos resultados que se conhecem, foi posterior à independência, mas não deixou de afectar a imagem da descolonização. As abusivas interferências externas foram, sem dúvida, o grande factor perturbador, responsável pelos desfechos mais negativos da fase de transferência do Poder da descolonização Portuguesa.
(...)
in: http://historiaeciencia.weblog.com.pt/arquivo/018054.html